Segundo o jornal, as novas tarifas devem ficar no mesmo patamar dos atuais 10%, mas o governo americano também conduz outras investigações que podem abrir caminho para a adoção de alíquotas mais altas. Setores atingidos pela política comercial americana buscam mercados alternativos Leia também: Autoridades americanas defenderam cautela Segundo o Financial Times, autoridades de alto escalão têm aconselhado Trump a preservar a estabilidade nas relações com os parceiros comerciais e a respeitar os acordos firmados por Washington para reduzir tarifas em 2025. O jornal avalia ainda que a guerra comercial lançada por Trump coincide com a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, que pressiona os mercados de energia e aumenta o risco de um conflito regional. Isso tem gerado custos econômicos nos EUA. Nesta semana, por exemplo, o preço da gasolina subiu para mais de US$ 4 por galão. Uma pesquisa realizada pela Focaldata para o Financial Times no início deste mês mostrou que mais de dois terços dos eleitores desaprovavam a forma como Trump lidava com o custo de vida. “Acredito que a principal influência sobre as alíquotas tarifárias seja o ambiente político e as preocupações com o poder de compra, que limitam a capacidade de Trump de ampliar as medidas”, afirmou ao FT Michael Smart, diretor-gerente da Rock Creek Global Advisors, consultoria de Washington. Autoridades americanas amenizaram parte das tarifas mais duras propostas inicialmente por Trump ao conceder isenções para produtos importantes ao consumidor, como carne bovina e café, e reduzir algumas taxas sobre itens feitos de aço e alumínio. Após duas investigações comerciais recentes sobre minerais críticos e peças de aeronaves, autoridades recomendaram que os EUA negociasse com seus parceiros comerciais, em vez de avançar com novas tarifas. “Mas indica que agora é necessária uma abordagem mais cautelosa, principalmente às vésperas das eleições de meio de mandato.” As tarifas que podem ser anunciadas nesta semana devem variar entre 10% e 12,5% para 60 países, com base em investigações sobre práticas de trabalho forçado. O Brasil está entre os países que podem ser enquadrados na alíquota de 12,5%. Os Estados Unidos iniciaram a investigação em março, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, juntamente com outra apuração sobre excesso de capacidade industrial, e realizaram audiências públicas sobre as ropostas. Essa segunda investigação inclui União Europeia, China, Singapura, Suíça, Noruega, Indonésia, Malásia, Camboja, Tailândia, Coreia do Sul, Vietnã, Taiwan, Bangladesh, México, Japão e Índia.