EUA alegam que países, como o Brasil, falham em combate a trabalho forçado e restauram, na prática, taxa derrubada por Justiça Presidente dos EUA, Donald Trump, assina uma ordem executiva na Casa Branca — Foto: Alex Brandon/AP Photo O governo do presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira novas tarifas gerais de 10% e 12,5% a 60 parceiros comerciais, incluindo a União Europeia, devido a alegações de fiscalização frouxa das proibições de trabalho forçado. O Brasil entrou na lista dos países que terão tarifa-base de 12,5% . A medida, adotada justamente quando expira uma tarifa global temporária de 10%, entraria em vigor à 0h01 desta sexta-feira. Ela representa o mais recente esforço da Casa Branca para restaurar a campanha de Trump por tarifas globais, após a Suprema Corte dos EUA ter derrubado, em fevereiro, as tarifas “recíprocas” de 10% a 50% — impostas no ano passado sob uma lei de emergências nacionais, numa tentativa de reduzir o déficit comercial dos EUA. As novas tarifas entrarão em vigor nesse mesmo instante, com isenção para mercadorias em trânsito até a 0h01 (horário do leste dos EUA, 1h01 de Brasília) de 28 de julho. O governo citou a falha de países estrangeiros em aprovar ou aplicar leis que proíbam a importação de produtos fabricados por trabalho forçado, argumentando que isso prejudica as empresas americanas que cumprem tais leis. Brasil, China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Suíça, Austrália, Rússia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Egito, Emirados Árabes, Filipinas, Guiana, Honduras, Hong Kong, Peru, Singapura, Sri Lanka, Tailândia, Trinidad e Tobago, Turquia, Uruguai, Venezuela e Vietnã estão entre os países que estavam sob investigação do Escritório de Comércio dos EUA (USTR, pela sigla em inglês) e devem ser taxados em 12,5%. Já a União Europeia — que comercialmente negocia como bloco — Argentina, Bangladesh, Camboja, Canadá, Equador, El Salvador, Guatemala, Indonésia, Malásia, México, Paquistão, Reino Unido e Taiwan, terão tarifas de 10%. “Os EUA têm uma proibição de importação de trabalho forçado há quase um século e a aplicam rigorosamente. Já passou da hora de nossos parceiros comerciais fazerem o mesmo”, disse o Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, em um comunicado. “A ação começará a corrigir o que é tanto uma violação dos direitos humanos quanto uma prática comercial distorcida, visando melhorar o bem-estar dos trabalhadores em todo o mundo." Outro representante do governo afirmou que muitos produtos serão isentos das tarifas, incluindo petróleo e gás, fertilizantes, certos alimentos e produtos que já estão sujeitos às tarifas de segurança nacional da Seção 232, como automóveis, aço, alumínio e cobre. Outros produtos que estão em conformidade com o Acordo de Comércio entre os EUA, o México e o Canadá também serão isentos devido à cadeia de suprimentos norte-americana altamente integrada e aos altos níveis de conteúdo norte-americanos nesses produtos. A Casa Branca não tinha anunciado nesta quinta-feira, porém, a lista de quais países e produtos receberão isenções específicas.