O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), indicou que a discussão sobre controlar a urbanização nos bairros mais impactados por ruído de aeroportos deve ocorrer somente quando for realizada nova revisão do Plano Diretor e da Lei de Zoneamento na Câmara Municipal. A previsão para a legislação atual atingir seus objetivos é até 2029.

Sinalização semelhante tem ocorrido em reuniões com órgãos federais. Há cobrança ao menos desde 2018 para que projeto de lei sobre o tema seja enviado aos vereadores, o que não ocorreu. As tentativas de conciliação ganharam tração recentemente com a expansão dos aeródromos, intensa verticalização e mobilização de vizinhos contra barulho.

Como a Folha mostrou, grupo de trabalho municipal criado para estudar o tema após pressão federal recomendou o debate durante a revisão do Plano Diretor e do Zoneamento em relatório de fevereiro de 2022. Mesmo assim, o tema não foi abordado nas propostas e nas audiências públicas de ambos os projetos de lei, aprovados pelos vereadores em 2023.

A declaração ocorreu após a Folha revelar que a prefeitura tem sido cobrada pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e pelo MPF (Ministério Público Federal) para que incorpore os PEZRs (Planos Específicos de Zoneamento de Ruído) dos aeroportos de Congonhas, Campo de Marte e Guarulhos à legislação urbanística. Somados, abrangem área de ao menos 8,1 km², com ruído estimado de 65 decibéis ou mais, em média ponderada.