Washington bombardeia pontes, aeroporto e infraestrutura logística militar, enquanto governo iraniano anuncia ofensivas contra bases, radares e aeronaves americanas em países do Golfo, na Jordânia e na Síria 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Esta captura de tela, extraída de imagens de vídeo divulgadas em 17 de julho de 2026 pelo site Sepah News da Guarda Revolucionária do Irã (IRGC), mostra um míssil sendo lançado de um local não revelado em direção a alvos dos EUA no Catar, no Kuwait e em Omã — Foto: SEPAHNEWS.COM / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/07/2026 - 12:25 EUA e Irã intensificam ataques, elevando tensões no Oriente Médio Os EUA intensificaram ataques à infraestrutura do Irã, atingindo pontes e aeroportos, o que provocou retaliação iraniana contra alvos americanos no Oriente Médio. A escalada deste conflito reacendeu tensões na região, impactando o fornecimento de energia global. Irã e EUA ameaçam ampliar o conflito, enquanto China e Paquistão pedem negociações. A situação permanece volátil, sem uma estratégia clara para resolução. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Na maior escalada desde a retomada da guerra aberta entre Estados Unidos e Irã, Washington ampliou nesta sexta-feira sua campanha de bombardeios ao atacar pontes, um aeroporto, uma estação ferroviária e o que classificou como infraestrutura logística militar. Em resposta, Teerã lançou uma nova rodada de ataques contra interesses americanos no Oriente Médio, afirmando ter atingido bases, radares e aeronaves dos EUA no Catar, Kuwait, Bahrein, Jordânia, Omã e Síria. O Comando Central das Forças Armadas dos EUA (Centcom) disse ter atingido “dezenas de alvos militares iranianos”, incluindo instalações de vigilância costeira, sistemas de defesa aérea, infraestrutura logística militar e instalações marítimas. Foi a primeira vez, em mais de uma semana, que os americanos mencionaram infraestrutura entre os alvos da campanha, que até agora havia se concentrado principalmente em instalações militares. Desde a retomada das hostilidades, Washington e Teerã haviam evitado atingir infraestrutura civil e grandes ativos econômicos, considerados linhas vermelhas devido ao risco de provocar retaliações mais amplas. Segundo a imprensa estatal iraniana, ao menos seis pontes foram atingidas na província de Hormozgan, no sul do país. Também foram bombardeados um aeroporto em Iranshahr, uma estação ferroviária em Bandar Khamir e outras estruturas de transporte. A agência oficial Irna informou que os ataques da madrugada deixaram oito mortos e 20 feridos. Desde 22 de junho, os bombardeios americanos provocaram 38 mortes e mais de 400 feridos, segundo o Ministério da Saúde iraniano. Entre os mortos estão três mulheres e uma criança. EUA bombardeiam pontes no Irã, e Guarda Revolucionária ataca países do Golfo Após os ataques, o Ministério da Energia do Irã pediu à população que reduzisse o consumo de eletricidade. Em nota, a pasta afirmou que a rede elétrica enfrenta pressão após bombardeios contra infraestrutura energética e orientou os moradores a desligarem aparelhos de ar-condicionado nos horários de pico para preservar o fornecimento nas províncias afetadas. A Guarda Revolucionária iraniana afirmou que respondeu aos bombardeios atingindo “vários aviões-tanque e caças americanos” estacionados na Jordânia com drones e mísseis balísticos, além de atacar radares americanos em Omã e a base aérea de Al-Udeid, no Catar. Em comunicado, a corporação afirmou que a ofensiva teve como objetivo “punir o agressor” e as forças militares americanas. O Kuwait informou que uma usina de geração de energia e dessalinização de água foi atingida por um ataque iraniano, provocando incêndio, danos e a interrupção de parte da produção. O Ministério da Eletricidade pediu que a população economize energia durante o período de crise. No Catar, o Ministério do Interior informou que uma criança ficou ferida por estilhaços após explosões registradas em Doha. O Irã também afirmou ter atacado a base americana de Al-Tanf, na Síria, descrita pela Guarda Revolucionária como um centro de operações especiais dos EUA na região. As informações sobre o ataque à Síria, porém, são conflitantes. A Guarda Revolucionária afirmou ter atingido a base de al-Tanf em retaliação aos ataques americanos, mas uma fonte militar síria negou à AFP que a instalação tenha sido bombardeada. À Reuters, outra fonte militar afirmou que houve um ataque nas proximidades da base, sem atingir a instalação militar, e que não houve vítimas nem danos materiais. Os Estados Unidos informaram que retiraram suas tropas de al-Tanf em fevereiro deste ano. Em meio à escalada, o Irã voltou a ameaçar ampliar o conflito caso Washington intensifique os ataques contra sua infraestrutura. Um porta-voz das Forças Armadas iranianas disse que, se os EUA continuarem atingindo instalações civis e estratégicas da República Islâmica, “toda a infraestrutura da região se tornará um alvo legítimo”. A Guarda Revolucionária também declarou manter controle total sobre o Estreito de Ormuz e afirmou que nenhuma exportação de petróleo ou gás será permitida pela via enquanto prosseguirem os ataques americanos. A ofensiva também elevou as preocupações sobre o abastecimento global de energia. O petróleo Brent avançou cerca de 2% nesta sexta-feira e voltou ao patamar de US$ 86 (cerca de R$ 439) por barril, o maior nível desde o acordo provisório firmado há um mês para encerrar a guerra. Antes do conflito, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo passava pelo Estreito de Ormuz. Veja fotos do Estreito de Ormuz, foco de tensão entre Irã e Estados Unidos 1 de 12 Navio comercial visto da costa de Dubai em meio ao fechamento do Estreito de Ormuz — Foto: AFP 2 de 12 Estreito de Ormuz é uma região entre Irã e Omã — Foto: Reprodução/Nasa X de 12 Publicidade 12 fotos 3 de 12 Navios na costa de Dubai em meio à crise no Estreito de Ormuz — Foto: AFP 4 de 12 Imagem de satélite mostra a localização do Estreito de Ormuz — Foto: Divulgação/Nasa via AFP X de 12 Publicidade 5 de 12 Navio é visto perto da costa de Ras al-Khaimah, nos Emirados Árabes Unidos, a caminho do Estreito de Ormuz — Foto: AFP 6 de 12 Navio da Guarda Revolucionária em exercício no Estreito de Ormuz — Foto: SEPAH NEWS / AFP X de 12 Publicidade 7 de 12 Lancha se aproxima de navio no Estreito de Ormuz — Foto: Giuseppe CACACE / AFP 8 de 12 Lancha trafega pelo Estreito de Ormuz perto da costa dos Emirados Árabes Unidos — Foto: FADEL SENNA / AFP X de 12 Publicidade 9 de 12 Cargueiro tailandês foi atacado perto do Estreito de Ormuz, no último dia 11 — Foto: AFP 10 de 12 Navios petroleiros na região do Estreito de Ormuz — Foto: Giuseppe Cacace/AFP X de 12 Publicidade 11 de 12 Petroleiros seguem fundeados no Terminal de Carga de Khor Fakkan, nos Emirados Árabes Unidos, no Estrei no Ormuz — Foto: AFP 12 de 12 Navio da Marinha iraniana participa de exercícios navais na região do Estreito de Ormuz — Foto: EBRA​HIM NOROOZI /JAMEJAMONLINE/ AFP PHOTO X de 12 Publicidade Passagem crucial para o comércio mundial é tema central na guerra entre países O Irã anunciou o fechamento da passagem marítima após a retomada dos confrontos, enquanto Washington restabeleceu o bloqueio aos portos iranianos. Nesta sexta-feira, militares americanos informaram ter abordado um petroleiro para fazer cumprir o bloqueio. Também houve novos incidentes marítimos na região: um navio foi atingido por um projétil não identificado na costa de Omã e uma embarcação química foi tomada por homens armados no Golfo de Áden. Segundo fontes de segurança marítima, este último caso parece estar relacionado à pirataria somali, e não aos houthis do Iêmen, apoiados por Teerã. Apelos por diálogo Em meio ao aumento das tensões, China e Paquistão voltaram a defender uma retomada das negociações entre Washington e Teerã. Em reunião em Xangai, os chanceleres Wang Yi e Ishaq Dar manifestaram preocupação com a deterioração da situação e pediram a interrupção imediata das hostilidades. Já a Casa Branca sustentou que o presidente americano, Donald Trump, continua aberto à diplomacia. Segundo a porta-voz Karoline Leavitt, autoridades iranianas sinalizaram que ainda desejam chegar a um entendimento com Washington, embora Trump não esteja disposto a tolerar novos ataques contra embarcações no Estreito de Ormuz. (Com AFP)