Militares americanos atingiram pontes e um aeroporto, enquanto Teerã lançou ataques contra a Síria pela primeira vez desde o início do conflito em fevereiro Parte de uma ponte destruída após um ataque em Bandar Khamir, na província iraniana de Hormozgan, em 17 de julho — Foto: Redes Sociais via Reuters Os Estados Unidos e o Irã ampliaram os ataques para além de alvos militares durante o sexto dia consecutivo de hostilidades, aumentando nesta sexta-feira os temores de um retorno a uma guerra em larga escala, enquanto as negociações para retomar um cessar-fogo e reabrir o Estreito de Ormuz seguem paralisadas. Os militares americanos atacaram o sul do Irã durante a madrugada, atingindo seis pontes e um aeroporto, segundo a mídia estatal iraniana. Também houve relatos de ataques à cidade de Bushehr, no sul do país, onde está localizada a única usina nuclear iraniana, e à província ocidental de Lorestan. O Irã respondeu disparando contra bases americanas no Kuwait, na Jordânia e no Bahrein — os três países que mais sofreram os contra-ataques de Teerã desde que os combates se intensificaram no início da semana passada —, além de atacar o arquipélago de As Salamah, em Omã, situado no Estreito de Ormuz. O Kuwait informou que uma usina de dessalinização de água e geração de energia foi atingida por ataques, provocando um incêndio e danos à instalação. O Catar, um dos principais mediadores entre Washington e Teerã, afirmou ter interceptado mísseis lançados em sua direção. O Irã também atacou o leste da Síria nesta sexta-feira, segundo a mídia estatal iraniana e uma fonte militar síria, no que representa o primeiro ataque conhecido de Teerã contra território sírio desde o início da guerra regional, no começo deste ano. A escalada das hostilidades, desencadeada pelos ataques do Irã a petroleiros que atravessavam o Estreito de Ormuz, ainda está longe da intensidade registrada no auge da guerra, entre março e o início de abril. Naquele período, Estados Unidos e Israel bombardeavam cidades iranianas em larga escala, enquanto Teerã lançava milhares de drones e mísseis contra países árabes do Golfo e Israel. Mas os ataques desta sexta-feira e as ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, de lançar uma ampla ofensiva contra a infraestrutura do Irã e sua recusa em descartar uma ofensiva terrestre contra o litoral iraniano podem provocar uma nova escalada militar por parte de Teerã, seja por meio de ataques à infraestrutura de países vizinhos ou por uma interrupção ainda maior do fornecimento de energia, caso seus aliados houthis no Iêmen intensifiquem os ataques contra navios que transitam pelo Mar Vermelho. A retomada dos combates voltou a interromper, em grande medida, o tráfego pelo Estreito de Ormuz, elevando os preços do petróleo globalmente. Por volta das 8h desta sexta-feira (horário de Brasília), o barril do Brent, referência mundial, era negociado em alta de 1,8%, a US$ 85,75. Na semana, a commodity caminha para uma alta de 13%, mas ainda está longe dos US$ 120 por barril do início da guerra. A imprensa estatal iraniana informou que pelo menos cinco pontes foram atingidas no sul do país. Sete pessoas teriam morrido em ataques contra pontes na cidade portuária de Bandar Khamir, onde a estação ferroviária também foi atingida. Mais a leste e distante da costa, foi registrado um ataque contra um aeroporto em Iranshahr, cidade localizada em uma província que faz fronteira com o Paquistão. Em resposta, o Irã afirmou ter atacado bases militares americanas no Kuwait e no Bahrein, além de uma estação de radar americana em Omã. Explosões também foram ouvidas em Doha, capital do Catar, onde o Ministério do Interior informou que uma criança ficou ferida por estilhaços. Teerã também afirmou ter realizado ataques contra a Síria, aparentemente pela primeira vez desde o início da guerra, tendo como alvo o que descreveu como uma base das forças especiais americanas em Al-Tanf. A Síria afirma que as tropas dos EUA deixaram a base no início deste ano. Uma fonte militar síria disse que o ataque atingiu uma área próxima à instalação, sem causar danos nem vítimas. Um acordo provisório para encerrar a guerra ruiu em 7 de julho, quando o Irã atacou embarcações no Estreito de Ormuz e os Estados Unidos responderam com bombardeios aéreos. Na sequência, Teerã anunciou o fechamento da hidrovia por onde antes da guerra passavam cerca de 20% da oferta de petróleo e gás do mundo, enquanto Washington voltou a impor um bloqueio aos portos iranianos. Nos mais recentes incidentes no mar, os militares dos Estados Unidos informaram que abordaram o petroleiro Wen Yao para fazer cumprir o bloqueio, divulgando fotos de fuzileiros navais descendo de rapel de um helicóptero até o convés da embarcação, onde um deles posou em frente a uma bandeira iraniana. A agência britânica de segurança marítima UKMTO informou que um petroleiro foi atingido por um projétil na quinta-feira, na costa de Omã. O Irã também deu sinais de que pode incentivar seus aliados houthis no Iêmen a fechar outro estreito estratégico, o Bab el-Mandeb, na entrada do Mar Vermelho, o que pode agravar ainda mais a crise global de energia ao interromper outra rota de escoamento do petróleo do Oriente Médio. Fontes disseram à Reuters que Teerã já instruiu os houthis a agir caso Washington ataque a infraestrutura iraniana. A disparada dos preços da energia provocada pelo conflito aumentou a pressão sobre Trump para encerrar rapidamente uma guerra impopular. Por outro lado, permitir que o Irã mantenha o controle do Estreito de Ormuz representaria um constrangimento estratégico para Washington em uma região onde as forças americanas atuam, há décadas, como principal garantidora da segurança. Em um pronunciamento à nação na noite de quinta-feira, dedicado principalmente à segurança eleitoral, Trump afirmou que os EUA estão "vencendo de forma contundente no Irã" e que os americanos veriam “os frutos desse trabalho muito, muito em breve".
Novos ataques de EUA e Irã ampliam temores de guerra em larga escala
Militares americanos atingiram pontes e um aeroporto, enquanto Teerã lançou ataques contra a Síria pela primeira vez desde o início do conflito em fevereiro












