Eleições 2026

A tentativa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de emplacar a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques como candidata a vice-presidente tem ampliado o desgaste interno de sua pré-campanha. Embora ela tenha sido protagonista na elaboração do programa de governo e dividido o palco com o senador no lançamento, na quinta-feira 16, do plano “Brasil por Elas”, seu nome esbarra em resistências no PL e até no Republicanos, partido ao qual é filiada.

O evento foi montado para aproximar a campanha do eleitorado feminino. Reuniu propostas de combate à violência contra a mulher, acesso à internet, empreendedorismo, inteligência artificial e saúde. Politicamente, porém, serviu sobretudo para consolidar Daniella como principal formuladora da candidatura e escolha pessoal de Flávio para a vice.

Ex-integrante da equipe econômica de Paulo Guedes, Marques comandou a Secretaria Especial de Produtividade e Competitividade e presidiu a Caixa no fim do governo Jair Bolsonaro. Aos olhos do senador, combina experiência administrativa, credenciais liberais e interlocução com o eleitorado feminino.

Nos bastidores, porém, a avaliação no PL é de que a escolha teria pouco retorno político. Integrantes da legenda argumentam que, apesar do perfil técnico e da proximidade com Flávio, Daniella nunca disputou eleições e não agregaria votos nem ampliaria o arco de alianças da candidatura. Para dirigentes do partido, a vaga de vice deveria ser utilizada para atrair uma legenda aliada ou um nome com maior peso eleitoral.