Lideranças do Sul e do Sudeste defendem uma aliança com Flávio Bolsonaro, enquanto dirigentes do Nordeste e outros quadros importantes querem neutralidade Marcos Pereira, presidente do Republicanos — Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados — 12/7/2023 A confirmação de que a vice-presidência na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pode ser oferecida a Daniella Marques é insuficiente para garantir a adesão do Republicanos em nível nacional. A avaliação de quadros da legenda ouvidos reservadamente é de que o nome de Daniella nunca foi discutido internamente no partido como opção para a vice de Flávio e, por não ter trajetória na legenda, sua eventual indicação não significaria apoio automático do partido e nem alteraria o cenário de divisão interna sobre apoiar ou não o pré-candidato do PL. Leia mais O partido diverge sobre a composição e lideranças do Sul e do Sudeste defendem uma aliança com Flávio Bolsonaro, enquanto dirigentes do Nordeste e outros quadros importantes do partido trabalham para que a legenda mantenha neutralidade na disputa presidencial. A leitura, segundo políticos do partido, é de que a legenda está “meio a meio”. Entre os nomes citados por interlocutores que defendem a neutralidade estão o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, o presidente da Câmara, Hugo Motta (PB), e o líder do Republicanos na Câmara, deputado Augusto Coutinho (PE), que trabalham para que a legenda permaneça sem declarar apoio formal a um candidato ao Palácio do Planalto. Um argumento levantado por integrantes da legenda é o impacto eleitoral do tempo de televisão. Caso o Republicanos permaneça neutro, o PL deixaria de incorporar o espaço da legenda na propaganda eleitoral, o que, na avaliação desses quadros, representaria um ganho indireto para a campanha do presidente Lula. O mesmo raciocínio é aplicado à indefinição da federação União Progressista (União Brasil-PP), cuja eventual neutralidade também reduziria o tempo de televisão disponível para uma candidatura de direita – e beneficiaria indiretamente Lula. Diante desse cenário, o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, tem evitado antecipar uma posição definitiva e vem ouvindo diferentes segmentos da sigla antes de anunciar uma decisão. Segundo interlocutores, Marques não é vista como alguém do partido. Embora seu nome tenha passado a circular como favorito para assumir a vice na chapa, correligionários afirmam que ela não possui identidade com o Republicanos. O Republicanos, segundo interlocutores do partido, não reivindica o posto nas negociações com o PL e a discussão interna se concentra, neste momento, na conveniência política de o partido assumir ou não um compromisso nacional com Flávio Bolsonaro. Candidatos a governador e lideranças do Sul e do Sudeste defendem o alinhamento com Flávio Bolsonaro, argumentando que parte significativa de suas bases eleitorais mantém identificação com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em diversos municípios dessas regiões, a aliança seria considerada natural do ponto de vista eleitoral, na leitura desses quadros. Já no Nordeste, o cenário é diferente. Lideranças da região sustentam que o Republicanos deve preservar sua independência. Marcos Pereira tem permitido que diretórios estaduais com maior proximidade ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenham liberdade para apoiá-lo, sem impor uma orientação nacional. O coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, senador Rogério Marinho (PL-RN), disse nesta segunda-feira (20) que o nome para pleitear a vice-presidência na chapa do PL não deve ser decidido até a convenção do partido. O evento será realizado no próximo sábado (25) em São Paulo. "A princípio [o nome da vice] não será anunciado. Nós temos até o dia 5 de agosto. Então nós estamos conversando com outros partidos. É evidente que essa decisão só ocorrerá quando tivermos um quadro mais claro de qual vai ser a nossa política de aliança, qual é a nossa composição partidária. A partir daí é que nós vamos olhar, dentro dos quadros que existem em cada partido, quais aqueles que se adequam ao perfil que nós achamos desejável", declarou Marinho a jornalistas. Hoje, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que a líder do PP no Senado, Tereza Cristina (MS), não aceitou ser a vice da chapa de Flávio e irá se candidatar à presidência do Senado Federal. Valdemar e Tereza se reuniram hoje em Brasília. O nome de Danielle Marques tem sido ventilado como o favorito para assumir o posto. A ex-presidente da Caixa Econômica no governo de Jair Bolsonaro tem participado de eventos e lives com Flávio. Ela ajudou na construção do plano de governo na parte econômica e participou ao lado do filho zero um de Jair Bolsonaro do lançamento do Plano Brasil Por Elas, voltado ao eleitorado feminino.
Republicanos segue dividido sobre apoio ao PL na disputa presidencial
Lideranças do Sul e do Sudeste defendem uma aliança com Flávio Bolsonaro, enquanto dirigentes do Nordeste e outros quadros importantes querem neutralidade












