Uma recente manifestação do secretário de Estado americano, Marco Rubio, sobre o Tribunal Penal Internacional (TPI) não surpreende pelo conteúdo, mas intriga pela forma.

Vale repassar: esta semana Rubio disse que os EUA querem o fim do tribunal. Não é novidade. Mas a espiral retórica do secretário o exaltou a ponto de afirmar que a captura de cidadãos americanos, com base na jurisdição internacional, seria a morte da soberania do país. Por isso, promete "desmantelar o TPI, tijolo por tijolo, se necessário". Pretende demolir a sede do tribunal, em Haia?

Digamos que a linguagem é figurada. Rubio chama atenção sobre si mesmo, certamente mirando a sucessão de Trump e a ultrapassagem da candidatura natural do vice-presidente, J. D. Vance.

Digamos, também, que mandados de prisão emitidos pelo TPI contra Binyamin Netanyahu e Vladimir Putin incomodam o atual chefe da Casa Branca, mas a chance de que o mesmo venha acontecer a ele é algo que tende ao impossível.

O fato é que a guerra americana contra o TPI se intensifica. Em seu segundo mandato, Trump abriu processo contra o procurador-geral do tribunal, o advogado britânico Karim Khan, e Rubio sancionou juízes da entidade, começando pela jurista Kimberly Prost, do Canadá.