Donald Trump declarou guerra contra a Justiça internacional. Em uma operação diplomática de chantagem e de ameaças, o governo norte-americano colocou em prática a maior ofensiva contra a ideia do direito internacional e a perspectiva de criminosos de guerra não ficarem impunes. Na segunda-feira 13, de maneira solene, o secretário de Estado, Marco Rubio, anunciou que sua missão passou a ser a de desmantelar o Tribunal Penal Internacional, com sede em Haia.
Desde o ano passado, magistrados da Corte, procuradores e funcionários passaram a ser alvos de sanções por parte do governo norte-americano. Isso inclui a retirada de vistos, o confisco de bens, o congelamento de contas e a proibição do uso de cartões de crédito de bandeira dos EUA. Mas a declaração de guerra total, agora, ocorre depois de três juízes da Corte ingressarem com um processo judicial em Nova York, no mês passado, contra o governo Trump. Os autores da ação argumentam que as sanções impostas a eles pela Casa Branca são ilegais.
Os magistrados afirmam enfrentar dificuldades para agendar viagens e relatam o bloqueio de transferências financeiras e até a suspensão do seguro-saúde. Empresas como Amazon, Google e Expedia restringiram ou encerraram suas contas, e alguns tiveram de cancelar palestras na Universidade Fordham, na Universidade Vanderbilt e em outras instituições dos EUA. O “crime” que eles cometeram? Denunciar as ilegalidades cometidas por soldados norte-americanos no Afeganistão e mirar Benjamin Netanyahu por crimes de guerra e crimes contra a humanidade na Faixa de Gaza.










