A capacidade de pousos e decolagens no Campo de Marte está sendo ampliada por meio da implantação da navegação por instrumentos Foto: Tiago Queiroz/Estadão - 17/03/2022As construtoras da cidade de São Paulo acreditam que haverá uma solução para evitar que a expansão dos voos no Campo de Marte restrinja a altura dos novos prédios nos arredores do aeroporto. “Estamos prontos para entrar com questionamentos na Justiça, mas não é o que queremos. Ainda temos esperança de que essa decisão seja revertida”, afirmou o presidente do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), Ely Wertheim.PUBLICIDADEA capacidade de pousos e decolagens no Campo de Marte está sendo ampliada por meio da implantação da navegação por instrumentos. Até aqui, a navegação é apenas visual, ficando comprometida nos dias de mau tempo. Essa mudança é prevista no contrato de concessão do aeroporto, elaborado pelo Ministério de Portos e Aeroportos, do governo federal. Como consequência, será necessário restringir a altura de novos prédios para garantir a segurança do fluxo aéreo.Por sua vez, as empresas de construção reclamam que tais mudanças vão reduzir a altura máxima em um raio muito grande, de aproximadamente 20 quilômetros ao redor do aeroporto, o que inviabiliza os investimentos imobiliários na maior parte da cidade. “Em vários bairros, os prédios podiam ter 20 andares. Agora vão ter oito. Isso torna inviável”, disse o Wertheim. Pelas contas do Secovi e da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), cerca de 90% dos projetos em desenvolvimento estão nesse raio, o que corresponde a R$ 80 bilhões em vendas futuras de imóveis.Setor vê mudança de postura de órgãos públicosO presidente do Secovi-SP disse que há uma mudança de postura dos órgãos públicos. “Após receber nossos estudos, o Ministério de Portos, o governo do Estado e a prefeitura nos afirmaram que estão procurando, junto com a concessionária e a Aeronáutica, soluções técnicas para evitar impacto na produção imobiliária”, disse. “As partes estão sensibilizadas, e nós acreditamos em uma solução técnica. Talvez isso signifique menos voos ou implantação de equipamentos mais caros. Mas é algo que precisa ser feito”, declarou.Se não houver uma solução, o sindicato patronal considera abrir um processo na Justiça questionando a aprovação do edital de concessão sem um debate público mais aprofundado sobre os impactos urbanísticos.PublicidadeA concessionária do Campo de Marte é a PAX, controlada pela XP Asset. A empresa investiu R$ 125 milhões para entregar em março as obras de ampliação de pistas e área de manobra do Campo de Marte para viabilizar a navegação por instrumentos. Na sua avaliação, rever a adoção da navegação por instrumento não é algo aberto à rediscussão, pois faz parte do contrato de concessão. Já o Ministério de Portos frisou que todo o processo licitatório foi precedido de consulta e audiência públicas conduzidas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 16/07/2026, às 18:20A Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.Para saber mais sobre a Broadcast+ e solicitar uma demonstração, acesse.