Localizada na Marginal Pinheiros, torre assume uma nova etapa da verticalização paulistana 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Com 219 metros, Torre Alto das Nações redefine o horizonte de São Paulo — Foto: Edilson Dantas / O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/07/2026 - 22:55 Torre Alto das Nações: Novo Marco da Verticalização Paulistana A Torre Alto das Nações, com 219 metros, se tornará o edifício mais alto de São Paulo e o maior prédio corporativo do Brasil, superando o Platina 220. Localizada na Marginal Pinheiros, sua conclusão está prevista para este ano. O projeto, parte do complexo Paseo Alto das Nações, inclui escritórios, garagem e um mirante com vista panorâmica, sinalizando a nova era da verticalização na cidade. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Na cidade onde o horizonte quase sempre é uma infinidade de silhuetas de prédios, um novo edifício promete ganhar o protagonismo. Com 219 metros de altura e inauguração prevista para este ano, a Torre Alto das Nações vai se tornar a mais alta de São Paulo, superando em mais de 50 metros o recordista anterior da capital paulista — e será também a maior do Brasil, com exceção de Balneário Camboriú (SC). Feito pela WTorre, o prédio obteve certificado de conclusão de obra e “habite-se” da prefeitura no fim de junho. Fica na Marginal Pinheiros (naquele trecho chamada Avenida das Nações Unidas), no eixo corporativo da avenida Doutor Chucri Zaidan, na Zona Sul. Terá apenas escritórios nos 39 andares — além desses, há 4 pisos de garagem, um térreo e o mirante. É o primeiro da cidade a superar a marca dos 200 metros, mas ao menos outros dois se juntarão ao clube até 2029, consolidando a era dos espigões superaltos — e que gora chegam a bairros mais nobres da metrópole. Torre Alto das Nações tornou-se oficialmente o edifício mais alto da capital paulista — Foto: Edilson Dantas / O Globo O Alto das Nações é uma das três torres do complexo Paseo Alto das Nações — apenas uma delas já funciona, com uso misto e 113 metros (visível na primeira foto da reportagem). A primeira fase do empreendimento foi concluída em novembro de 2022, com supermercado, mais de 40 lojas, restaurantes e a torre, enquanto o prédio corporativo e a praça de convivência serão inaugurados neste semestre. O residencial e o teatro ficarão para a próxima etapa. O complexo está no terreno onde havia o primeiro supermercado do grupo Carrefour no Brasil, que integra o projeto. A obra atingiu a altura recordista em setembro de 2025. O Alto das Nações tem quase 50 metros a mais que o agora segundo lugar, o Platina 220, de 171,7 metros, no Tatuapé, na Zona Leste. Antes dessa disputa de gigantes, o topo de São Paulo pertenceu por mais de cinco décadas ao Mirante do Vale, no Centro, inaugurado em 1960 com 170 metros. A WTorre foi procurada ao longo da semana para dar mais detalhes do projeto, mas sem resposta. Os prédios mais altos de São Paulo: Torre Alto das Nações: 219 metros | Localizado na Avenida das Nações Unidas, em Santo Amaro, Zona Sul. É o maior prédio corporativo do Brasil.Platina 220: 172 metros | Localizado na Rua Bom Sucesso, no Tatuapé, Zona Leste. Possui 50 andares de uso misto (escritórios, hotel e lojas).Mirante do Vale: 170 metros | Localizado na Avenida Prestes Maia, Centro. Foi o prédio mais alto do país por décadas. Figueira Altos do Tatuapé: 168 metros | Localizado na Rua Itapeti, no Tatuapé, Zona Leste. É um dos residenciais mais imponentes da cidade.Edifício Itália: 165 metros | Localizado na Avenida Ipiranga, Centro. Famoso por carregar o icônico restaurante Terraço Itália em sua cobertura, onde se tem uma vista panorâmica de 360 graus da cidade. Maior de escritórios do Brasil No ranking dos maiores prédios do Brasil, o Alto das Nações ocupa a sexta posição. À frente estão cinco residenciais de Balneário Camboriú (SC), cidade que se consolidou como o principal polo brasileiro de arranha-céus superaltos. O líder é a torre 2 do Yachthouse by Pininfarina, com 294,1 metros. Dessa forma, o gigante paulistano atingiu a marca de maior prédio de escritórios do país — ultrapassou o Orion Complex, de Goiânia, com 191 metros. Em razão da altura, o projeto passou por um estudo de impacto dos ventos, feito pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). A análise resultou em uma estrutura com leve flexibilidade, característica comum em arranha-céus tão altos, que permite absorver a ação das rajadas de vento sem comprometer a estabilidade da construção. No topo do edifício será instalado um mirante com vista panorâmica de 360 graus, incluindo uma plataforma de vidro suspensa para além da fachada, inspirada no Skydeck, em Chicago, e semelhante ao Sampa Sky, no Centro. Do alto, a vista chega à Represa Guarapiranga (na foto abaixo), uma área verde quase sempre longe demais para participar da rotina de quem frequenta aquela área coorporativa da cidade. A Torre Alto das Nações conta com 39 andares para escritórios, quatro solos de garagem, térreo e um mirante ao longo de seus 219 metros de altura. — Foto: Edilson Dantas / O Globo Para reduzir a sensação de rigidez da estrutura, o projeto terá terraços e jardineiras distribuídos ao longo da torre, formando faixas de vegetação que passam a ideia de estarem “subindo” pelo edifício. A expectativa dos responsáveis é de que o complexo receba cerca de 10 mil visitantes e trabalhadores por dia em pleno funcionamento. O novo céu de SP Durante décadas, a região do Centro foi a referência em prédios altos em São Paulo, com seus arranha-céus dos anos 1940 a 1960, como o Mirante do Vale (Palácio W. Zarzur), detentor do recorde da cidade por 55 anos. Uma nova onda de gigantes surgiu em 2021, quando a Zona Leste recebeu o Figueira Altos do Tatuapé, de 168 metros, então o residencial mais alto da cidade. No ano seguinte, chegou o Platina 220, com 172 metros, transformando o bairro em um polo de espigões. Agora, com o Alto das Nações, a moda chega à arborizada Zona Sul — mas não para por aí. Os próximos arranha-céus paulistanos também avançarão sobre bairros valorizados da cidade. O Epic Jardim Europa, na Avenida Rebouças, será o maior residencial da capital, com 210 metros e previsão de entrega em junho 2029. O Vista Cyrela (Torres Veneza e Milano), de altíssimo padrão, nas proximidades do Jockey Club, terá 206 metros e deve sair em julho de 2029 — A tendência de prédios cada vez mais altos em São Paulo é resultado da escassez de terrenos bem localizados, demanda por moradia e escritórios em áreas com boa infraestrutura e mudanças recentes nas regras urbanísticas. A verticalização pode, sim, conviver com a preservação dos bairros, mas exige planejamento fino para evitar que a nova arquitetura apague referências consolidadas da cidade — diz Camila Forcellini, arquiteta e coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo da Anhembi Morumbi. Os espigões na paisagem urbana, no fim, darão uma nova cara a regiões importantes de uma cidade que sempre encontra novos caminhos para crescer. — Quanto maior o prédio, mais gente ele abriga e eu entendo São Paulo como uma cidade múltipla, uma cidade que cresceu muito, a maior cidade do país e vai continuar crescendo. As pessoas migram para São Paulo o tempo todo, até pelo acolhimento e pela facilidade de trabalho — diz a gestora pública da área cultural Dandara Almeida. A maioria dos novos edifícios em São Paulo ainda se mantém abaixo dos 150 metros. Perto dos maiores edifícios do mundo, os arranha-céus paulistanos ainda são nanicos. O mais alto do planeta continua sendo o Burj Khalifa, em Dubai, com 828 metros, enquanto a Arábia Saudita ergue a Jeddah Tower, projeto que pretende ultrapassar 1 quilômetro de altura. (*Estagiária sob supervisão de Pedro Carvalho)