O Aeroporto Campo de Marte, em São Paulo, tem operado, nas últimas décadas, sob regras de voo visual (VFR). Nesse sistema de operação, podem existir limitações para pousos e decolagens em condições meteorológicas desfavoráveis. Com a implantação do sistema de aproximação por instrumentos (IFR), o aeroporto poderá ampliar o número de voos. Mas qual seria, efetivamente, esse aumento?

Para uma estimativa, consideremos o total de 58,8 mil pousos e decolagens registrados no Aeroporto Campo de Marte em 2024, segundo informações da própria concessionária.

Em um cenário otimista, segundo consultores aeronáuticos, a implantação do IFR poderia ampliar o número de voos em, no máximo, 15%. Considerando esse percentual, e que cada pouso e cada decolagem correspondem a um voo, chega-se à conclusão de que esse aumento seria de aproximadamente 12 voos adicionais por dia. Em um cenário mais conservador, esse incremento poderia se limitar a cerca de seis voos diários.

Diante disso, cabe uma reflexão: esse ganho incremental no número de voos justificaria os efeitos colaterais negativos para o desenvolvimento da cidade? Quanto São Paulo perde ao alterar o modelo de operação aeroportuária para ampliar, em magnitude relativamente pequena, a utilização de um aeroporto localizado em uma das áreas urbanas mais estratégicas e valiosas da metrópole?