Fosse ditador do país, eu proibiria TV ligada em bares e restaurantes. Como não sou, sujeito-me com demasiada frequência à gritaria do Craque Neto e seus genéricos enquanto engulo um feijão mequetrefe ou uma cerveja. Ficou difícil encontrar um boteco sem TV. Culpe a Copa do Mundo —não apenas esta, mas as quatro ou cinco edições mais recentes.
Desde que televisão virou um negócio fino, leve e relativamente barato, os bares competem para ter mais e maiores aparelhos. Como a tecnologia evolui bastante em quatro anos, a cada mundial temos TVs mais gigantes.
Eu também gosto de ver a Copa no boteco, o problema é que as TVs não desaparecem por mágica quando a Copa termina. Para fazer valer o investimento, essas máquinas de baixo consumo energético permanecem ligadas durante todo o expediente.
Até 2030, nos forçarão a ver no boteco as séries B, C e D do Brasileirão; os estaduais Capixabão, Potiguarzão e Amapaensão; disputas internacionais como o Sauditão e quem sabe até o Chinesão.
Sucede que nem sempre haverá futebol. Então dá-lhe reprise de novela dos anos 1990, tome a coleção dos hits sertanejos de 2014, aguente panorâmicas de drone do Brasil sem porteira.






