A Copa do Mundo não terminou, mas já mostrou uma mudança que deve continuar avançando nos próximos anos. Não falo do primeiro técnico estrangeiro na seleção brasileira nem da ausência completa de espírito de luta. O lema “sou brasileiro e não desisto nunca” soou como chacota frente à passividade de um time que desistiu do jogo. Para uns, isso foi uma tática. Outros dizem que foi apenas inanição. Como o tema da coluna é negócios, a mudança veio no campo da mídia. O nome da mudança é CazéTV.

Antes que surjam as críticas por não tratar aqui do tema bets, esclareço: nenhuma emissora escapa ilesa do tema. Canais de TV divulgam, são sócios e têm narradores como garotos-propaganda de casas de apostas. Atire a primeira pedra. Considero que apostas, legalizadas como estão, devem ter uma legislação rígida para divulgação, impostos elevados, punição severa para quem descumprir a lei e derrubar todos os sites não legalizados, punindo qualquer divulgação em qualquer plataforma. CartaCapital firmou um princípio de não aceitar anúncios ou patrocínios de bets. Mas o propósito da coluna hoje é outro. Entender o fenômeno e como a grande mídia piscou e a CazéTV deu um drible no meio das canetas.

Cazé tinha tudo para dar errado. Um sujeito corpulento em um quarto fazendo comentários e narração. Isso há muitos anos. Mas ele caiu nas redes e agradou, certo? Errado. Cazé entendeu o formato para falar nas redes sociais e no YouTube. Compreendeu a linguagem da internet, coisa que emissoras de TV não entendem nem podem adotar. O motivo é simples: quem tem milhões de audiência constante não pode mudar a estética de sua programação. É possível criar programas que dialoguem com a linguagem. Mas não é possível mudar a personalidade completa. O risco é perder o público (in)fiel.