Pouco antes da chegada de Grande Sertão: Veredas às livrarias, em 16 de julho de 1956, um ansioso João Guimarães Rosa adiantou-se à editora José Olympio e propôs um panfleto de divulgação da obra. “Sensacional. Estranho. Poderoso”, assim iniciava o texto. “Sendo o amor impossível. Onde narra sua vida o ex-jagunço Riobaldo. O sertão está em toda a parte.” Seguiam-se mais algumas frases e o arremate: “Carece de ter coragem. Carece de ter muita coragem”.
A editora, quando publicou o anúncio do “esperado romance” de Rosa nos jornais do Rio de Janeiro, modificou o texto. De todo modo, o lançamento teve grande repercussão.
Essa e outras anedotas, além de registros minuciosos sobre a vida de Guimarães Rosa (1908–1967), compõem João Guimarães Rosa, Biografia (Nova Fronteira/Topbooks, 736 págs., 199,90 reais), do jornalista e historiador Leonencio Nossa.
“Voltei para a ilha de edição umas cinco ou seis vezes. Fui maturando e entendendo o filme aos poucos”, diz Bia Lessa
Com base em ampla pesquisa documental, Nossa examina de que modo as vivências do escritor, diplomata e médico mineiro, da infância à idade adulta, repercutiram em sua produção literária.













