[RESUMO] Desnorteado com a marcha de perversidades em curso, o antropólogo Hermano Vianna procurou consolo e orientação nos livros —e qual melhor que "Grande Sertão: Veredas", lançado há 70 anos? Como sempre na grande literatura, os ensinamentos de Riobaldo, o jagunço narrador do romance sobre um sertão/mundo também mergulhado em guerras, nada têm da iluminação tranquila da autoajuda. Na deslumbrante prosa de Guimarães Rosa, formam um guia prático de sobrevivência para nossos tempos de governança global jagunça, refutam certezas e respostas simples, ensinam a buscar coragem e alegria em um mundo de desassossego e barbárie.
A rapper chilena Ana Tijoux decretou: todo mundo é errorista. Erramos adoidado, sem parar. Sobretudo quando falamos do futuro.
Riobaldo também errou. Erro estilo Francis Fukuyama: seu fim da história era o fim dos jagunços, do sertão. Sente que não pertence mais ao mundo que se anuncia: "Tempos foram, os costumes demudaram."
Há algo de lamento e conformismo em suas palavras: "Ah, tempo de jagunço tinha mesmo de acabar, cidade acaba com o sertão." Ou: "Agora o mundo quer ficar sem sertão".
Triste sina: "Os bandos bons de valentões repartiram seu fim. Muito que foi jagunço, por aí pena, pede esmola".












