Após quase dez anos de escrita, Goliarda Sapienza saiu, em 1978, à procura de editoras para seu épico libertário "A Arte da Alegria". Não encontrou na Itália ninguém disposto a abraçar o calhamaço que, na versão brasileira, ultrapassa 600 páginas.
Quando afinal foi publicado, dois anos após a morte da autora em 1996, o livro chegou —para azar dos leitores—, sem passar por uma edição que poderia ter ajudado a extrair o romance extraordinário escondido ali dentro.
Na história, que atravessa o século 20 —a protagonista Modesta nasce em 1900 e conta sua vida até a velhice—, vemos uma mulher ser fiel à sua vocação para a alegria em um contexto (social, familiar, político) que tenta limitá-la.
Mas ela dá seus pulos: escapa da infância brutal no interior da Sicília, descobre os livros e a sexualidade num convento, encanta uma velha princesa ao apaziguar seu filho com síndrome de Down. E, ao se casar com ele, se torna também princesa.
A atmosfera fabular não escapa à protagonista, que, durante uma conversa, diz: "A revolução com contos de fadas! Na verdade, é muito bonito". A exclamação poderia ser um resumo de "A Arte da Alegria".








