O uso das tarifas pelo governo dos Estados Unidos como um instrumento político, e não apenas econômico, ganhou contornos mais nítidos com o anúncio de um novo tarifaço contra produtos brasileiros nesta quarta-feira, 15.PUBLICIDADEA estratégia não é recente, como lembra Maria Carolina Gontijo, a Duquesa de Tax: no ano passado, o Brasil foi alvo de uma sobretaxa de 50%, cuja justificativa apresentou caráter político, fundamentado no tratamento dispensado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. “Já era uma situação curiosa por si só. Os Estados Unidos tinham um superávit comercial com o Brasil e, ainda assim, resolveram usar a tarifa como um instrumento de pressão. É mais ou menos como alguém que já está ganhando um jogo pedir prorrogação porque quer fazer mais um gol”, afirma a Duquesa (assista à íntegra da coluna no vídeo acima).O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump Foto: Julia Demaree Nikhinson/APDesde então, o cenário sofreu reviravoltas após a Justiça dos Estados Unidos passar a limitar a legislação que embasava as tarifas globais do presidente Donald Trump. Diante disso, o argumento de que as taxações ampliariam a arrecadação foi confrontado pela obrigação governamental de devolver bilhões de dólares a importadores por cobranças indevidas.Leia tambémPor que precisamos sempre desconfiar das estimativas bilionárias feitas pelo governoTorcemos contra a Argentina no futebol. Mas por que tantos torcem contra a Argentina na economia?Reforma tributária muda tributação dos aluguéis; veja quem pode passar a pagar mais impostoApesar dos reveses, a estratégia protecionista de Trump persistiu, forçando a administração americana a adotar uma nova abordagem fundamentada na chamada Seção 301. O mecanismo engloba investigações comerciais, audiências públicas e consultas a setores afetados, listando práticas consideradas prejudiciais ao comércio dos EUA. Publicidade“Foi assim que o Brasil deixou de aparecer apenas como um país numa lista e passou a ganhar uma investigação feita especialmente para ele. E aí começa uma parte que eu achei quase divertida: nessa investigação entrou Pix, entrou comércio digital, entrou propriedade intelectual, entrou etanol, combate à corrupção, desmatamento ilegal, suspensão de redes sociais. Foi de tudo um pouco. Parecia a gaveta da sua cozinha”, diz a colunista.Na política, o tarifaço do ano passado permitiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva converter a pressão externa em um discurso de defesa da soberania nacional. Em contrapartida, impôs uma situação de desconforto para a direita brasileira. “Pensa no senador Flávio Bolsonaro tentando administrar essa história. Ele precisa preservar essa relação política com o presidente dos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, mostrar para o produtor brasileiro que não está defendendo uma medida que pode prejudicar quem exporta”, afirma.O debate sobre o comércio exterior foi absorvido pelas campanhas presidenciais, mas os desdobramentos práticos das tensões recaem sobre os exportadores, diz a Duquesa.O redirecionamento das exportações para outros países não extingue os prejuízos e os desafios enfrentados pelas empresas que guardam dependência exclusiva do mercado consumidor norte-americano, mas atesta que o Brasil dispõe de mais alternativas de escoamento em comparação com períodos anteriores.PublicidadeProgramaTodas as quintas-feiras, às 9h30, a Duquesa de Tax faz reacts (comentários sobre outros vídeos ou entrevistas) do noticiário econômico no Estadão. Além disso, tem o programa semanal Não vou passar raiva sozinha. Os vídeos inéditos vão ao ar sempre às segundas-feiras, às 9h30, para assinantes do Estadão. Cortes do programa são distribuídos ao longo da semana nas redes sociais e na Rádio Eldorado. A atração também tem uma versão em podcast.Siga a Duquesa de Tax no EstadãoNão vou passar raiva sozinha no SpotifyNão vou passar raiva sozinha no Apple Podcasts
Tarifaço deixou de ser instrumento comercial para entrar na seara da pressão política
No ‘Fala, Duquesa’ desta semana, colunista diz que nova taxação americana é como alguém que já está ganhando um jogo pedir prorrogação porque quer fazer mais um gol














