Tarifas adicionais de 25%, anunciadas pelo governo dos EUA como resultado da investigação conduzida com base na Seção 301 sobre práticas comerciais brasileiras, entram em vigor em 22 de julho O novo tarifaço anunciado nesta madrugada pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, já tem sido explorado pelas pré-campanhas à Presidência do PT e do PL para atacar o adversário e tentar vinculá-lo à decisão do presidente americano Donald Trump. O comando do PT reforçou os ataques ao senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), chamado de “TariFlávio” pelos petistas, e associou a família Bolsonaro às novas tarifas. Já o senador buscou colar o anúncio à uma suposta inação do governo brasileiro e classificou Lula de “Biden brasileiro”, em referência ao ex-presidente dos EUA Joe Biden. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) anunciou a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros exportados aos EUA, depois de uma investigação sobre práticas comerciais brasileiras consideradas injustas pelo governo americano. A decisão, chancelada pelo presidente Donald Trump, entrará em vigor em 22 de julho. O governo americano alegou práticas como favorecimento ao Pix, acesso ao mercado de etanol e problemas relacionados à corrupção e desmatamento no Brasil para justificar o novo tarifaço. O PT vinculou a decisão do governo Trump a ações da família Bolsonaro, aliada do presidente americano, e acusou Flávio de “traidor da Pátria” e de atuar em favor dos Estados Unidos. O partido e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pré-candidato à reeleição, pretendem intensificar o discurso de defesa da soberania nacional e dos interesses brasileiros. “O TariFlávio é, definitivamente, o maior ato de traição da história política brasileira”, afirmou o secretário nacional de comunicação do PT, Éden Valadares. “A atuação da família Bolsonaro ultrapassou todos os limites da oposição política e, além de um ato de submissão aos interesses dos EUA em detrimento da soberania nacional, a postura e a atuação deliberada de Flávio Bolsonaro para que as tarifas fossem impostas por Trump confirmaram a priorização de agendas pessoais e eleitorais em vez da defesa da economia brasileira”, disse o dirigente, em nota publicada nas redes sociais. O dirigente petista acusou Trump de “ignorar evidências técnicas” e afirmou que os “Bolsonaros validaram mentiras contra o próprio país”. O dirigente nacional do PT lembrou ainda que Flávio viajou recentemente aos Estados Unidos, após desgaste político com a perspectiva de anúncio do novo tarifaço, e “protocolou pedido formal de suspensão das tarifas e não de cancelamento, “legitimando a agressão comercial”. “A subordinação foi notadamente calculada. A submissão amplamente documentada; a traição foi ineditamente registrada”, afirmou Valadares. Sob o alvo de críticas, Flávio usou as redes sociais para culpar o governo Lula pelo novo tarifaço. “Lula não tem mais condições de ser o presidente do Brasil. Estamos num avião sem piloto”, afirmou o presidenciável. “O Biden brasileiro está ranzinza, inconsequente e se tornou um perigo para a nossa nação. Quem olha pro Lula não enxerga futuro. Enxerga passado, atraso, incerteza, desconfiança, corrupção, incompetência, vingança… Chega! O Brasil tem futuro, mas não tem mais tempo a perder!”, disse Flávio. No fim de maio, em meio a desgastes políticos depois da divulgação de um pedido de dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, Flávio viajou para os Estados Unidos para tentar mudar a pauta e reuniu-se com o presidente americano Donald Trump, em encontro com a presença do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). No entanto, pouco depois da viagem, o senador desgastou-se novamente após o anúncio de um novo tarifaço pelo presidente dos Estados Unidos. O encontro passou a ser usado pela oposição para associar a família Bolsonaro à decisão de Trump. Alvo de críticas do governo federal, acusado de atuar contra os interesses do país, Flávio viajou novamente aos Estados Unidos no início do mês e tentou argumentar ao governo Trump que a sobretaxa neste momento ajudaria o presidente Lula nas eleições. O senador pediu o adiamento por 180 dias das novas tarifas, para depois da disputa presidencial brasileira. No ano passado, quando Trump anunciou o primeiro tarifaço contra o Brasil, Flávio e Eduardo Bolsonaro apoiaram a medida para tentar garantir uma anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e condicionaram o fim da sobretaxa à anistia do ex-presidente. Segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira (16), a maioria dos brasileiros atribui a Flávio a responsabilidade pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos. Os entrevistados foram questionados: “Lula acusa Flávio de ter pedido o tarifaço a Trump. Flávio afirma ter pedido a Trump para não taxar o Brasil. Com quem você concorda mais?”. Ao responderem, 51% afirmaram concordar mais com Lula (associando a medida a uma ação do presidenciável do PL) e 30% concordaram com Flávio (vinculando ao governo brasileiro) e 19% não responderam. Na rodada anterior da pesquisa, de junho, 47% concordavam com Lula e 35% com Flávio. O levantamento foi feito antes do anúncio oficial pelo governo dos EUA, entre os dias 10 e 13. A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-07181/2026. O instituto realizou 2004 entrevistas e foi contratado pelo Banco Genial. Pré-candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil e Andressa Anholete/Agência Senado