Durante décadas a interdição do afeto foi ensinada às mulheres como estratégia de conquista. "Não seja muito disponível", "não demonstre interesse", "faça ele correr atrás de você".

Clichês que perpetuam uma lógica de caça e caçador e que, infelizmente, não vêm só das tias caretas —são vendidos como método por coaches e jogados na sua cara como lição de moral da amiga femme fatale que problematiza seu excesso de carinho quando uma relação termina. Como se carinho fosse sinônimo de carência. Não é. E já antecipo que se fazer de difícil não é a saída nem para mulheres, nem para homens. Todos cansamos da guerra dos sexos, do jogo de quem se importa menos.

A pergunta do leitor revela uma sociedade que não apenas segue culpando o afeto feminino pelo desafeto do outro como passa a replicar a mesma lógica sobre o afeto masculino. E há nos homens uma dupla crítica, a autocrítica e a crítica velada às mulheres.

Com a autocrítica ele questiona se seu afeto foi pesado demais em tempos de demanda de relações leves, se ultrapassou limites ao extrapolar as linhas da mensagem com elogios e declarações. Com a crítica velada às mulheres ele as considera eternas insatisfeitas: "Não era um cara carinhoso que vocês queriam?! Eu fui e vocês não quiseram… suas dissimuladas!" E lá vão eles relembrar a ex-mulher do Kaká, que ao se separar teria dito que ele era bonzinho demais.