Queixas como: "Meu namorado topa a viagem, o cachorro, o show… todas as minhas propostas. Mas não move uma palha para que algo aconteça. Se eu não pesquiso, marco ou organizo… nada sai do lugar." ou "Quero discutir se mudamos ou não nossa filha de escola e quais móveis comprar para a reforma do apartamento. Ele diz que eu posso escolher e concorda com o que eu decidir. Mas eu não queria autorização. Queria construir uma decisão junto." são cada vez mais comuns na minha clínica.

Histórias que misturam frustração e exaustão por terem que se responsabilizar por todo o fazer da relação e pela sensação de solidão na responsabilidade. Fica a impressão de que o "acordado" tá saindo caro e que talvez não esteja tudo bem nesse "tudo bem" deles. Mas, junto ao incômodo, vem a culpa por senti-lo.

Antes de questionarem o homem, muitas mulheres questionam o próprio desconforto: "Será que eu sou a pessoa que sempre arranja problema? A eterna insatisfeita?" Se reclamar do que é ruim já nos custou anos de terapia, que dirá se autorizar a se incomodar com alguém que parece bom…

Afinal, depois de relações nas quais demoraram para perceber que posturas controladoras e impositivas não eram sinônimo de segurança e cuidado masculino (como nos deseducaram a pensar), e, sim, heranças de uma masculinidade que aprendeu a existir pelo controle, tudo o que queriam era alguém leve, flexível, aberto… Até perceberem a dificuldade de lidar com um outro supostamente fácil. Porque existe uma linha tênue entre alguém sem drama e alguém sem implicação emocional.