Um leitor do The New York Times envia um relato à terapeuta Lori Gottlieb: "Meu marido, com quem estou casada há dez anos, foi infiel em quatro ocasiões. Essas traições se estenderam por vários anos, mas com contato esporádico. Após a primeira revelação, fiquei arrasada, mas conseguia ver uma saída.
"A descoberta mais recente aconteceu há dois anos, pouco depois da chegada do nosso tão esperado segundo filho. Arrasada pela dor, pelos hormônios do pós-parto e pela privação de sono, decidi, mais uma vez, ficar, mas não sinto mais nenhuma convicção sobre nosso relacionamento. Sei que deveria ir embora; qualquer medo de ficar sozinha ou do impacto sobre meus filhos silenciou diante da minha crescente certeza de que deixá-lo é a coisa certa a fazer.
"E, no entanto, ainda estou aqui. Cresci me sentindo incompreendida e achando que o amor era condicionado às minhas notas e a ser boazinha. Minha mãe cresceu vivenciando traumas horríveis, que nunca foram tratados; meu pai é emocionalmente atrofiado. Meu pai traiu minha mãe e depois a deixou pela mulher que agora é sua segunda esposa.
"Quero ser sacudida e acordada, sair da inércia e entrar em uma nova vida."
Lori Gottlieb responde: Entendo por que você está confusa com a distância entre o que acredita ser o melhor curso de ação (ir embora) e o que está realmente fazendo (ficando). O que está mantendo você presa na inércia é o seguinte: você não está apenas lutando para decidir se deve deixar seu casamento; está lutando para decidir se deve deixar o que sempre pareceu ser seu lar, muito antes de conhecer seu marido.







