Uma leitora do The New York Times envia uma pergunta à terapeuta Lori Gottlieb: Meu marido, com quem sou casada há 38 anos, fez psicoterapia semanal presencial por 17 anos sem qualquer mudança em seu comportamento ou caráter. Acredito que o tratamento era voltado para ansiedade generalizada, procrastinação profunda e indiferença em relação a ganhar uma renda razoável.
A terapeuta dele, que também já foi minha, só reforçava esse padrão: não cobrava pagamento adiantado e aceitava apenas o que o convênio reembolsava, o que raramente acontecia, porque ele não fazia os pedidos de reembolso.
Fiquei incomodada, mas tolerei a situação porque não queria ficar sem ele. Eu disfarçava as bagunças que ele deixava, cuidava de todas as questões financeiras e o valorizava por ser um homem inteligente, gentil e amoroso. Acho que se trata de uma questão bioquímica: ele tem déficit de atenção sem hiperatividade. A terapia acabou há alguns anos, quando ele parou de ir, de repente.
Há dois anos, ele começou uma nova psicoterapia semanal remota, para as mesmas dificuldades. Consegui que ele passasse a pedir os reembolsos regularmente, mas o tratamento ainda custa um valor considerável. Ele diz "podemos pagar" —graças a mim.







