Esta semana eu li um texto que não saiu da minha cabeça, com uma tese central simples, mas, ao mesmo tempo, muito perturbadora. Dizia que as redes sociais não estão só observando os nossos relacionamentos, mas elas também estão, de alguma forma, nos treinando para nos afastar das pessoas que amamos, seja um parceiro, uma amiga, um irmão ou até a própria mãe.

A lógica, segundo a tese, é a de que hoje nenhum vínculo, amoroso, familiar ou de amizade, acontece só entre duas pessoas. Existe uma terceira presença ali, mediando tudo, calculando o que vai te manter mais um minuto na tela. Atrito, e não harmonia, é o que prende alguém na tela.

Por isso, quando um vínculo entra em crise, um casamento, uma amizade antiga, a relação com um pai ou uma mãe, o feed não mostra como resolver, mas mostra como terminar. Uma pausa maior num vídeo sobre "mãe narcisista", "amizade tóxica" ou "parceiro que não faz o suficiente", e, de repente, é só disso que a timeline fala. Você não pediu, mas o sistema decidiu que aquele era o seu momento de vulnerabilidade, e vulnerabilidade, para o algoritmo, é oportunidade.

O que mais me incomodou foi pensar em quantas vezes eu já chamei de "intuição minha" algo que, na verdade, era resultado da quinta vez que aquele discurso aparecia na minha tela naquela semana. A repetição faz isso com a gente, pois na segunda ou terceira exposição, a ideia já não parece implantada, parece que sempre foi nossa.