Tem gente que eu deletei da minha vida e com quem nunca mais conversei ou encontrei. Não porque brigamos, não porque me ofenderam, mas porque descobri, tarde, o que cinco minutos de conversa com essas pessoas fazem com a minha cabeça. E o mais difícil de admitir é que parte delas divide sobrenome comigo.

Reparei nisso ao longo de anos ouvindo empreendedoras, amigas, clientes. Existe um tipo de conversa que te devolve maior do que você entrou e existe outro tipo, disfarçado de conselho, disfarçado de "só quero seu bem", que te devolve menor. A mesma quantidade de minutos, mas efeitos completamente opostos.

Cheguei à conclusão de que o veneno mais forte não vem de estranho, vem de quem mora perto. Mãe que pergunta "e se não der certo?" no dia em que você mais precisava ouvir "vai dar", pai que compara seu negócio com o emprego fixo do primo, irmão que ri baixinho da sua ideia no almoço de domingo, parceiro que apoia com a boca e trava com o corpo toda vez que você chega em casa animada demais.

Ninguém escolhe nascer dentro de uma família e é justamente por isso que ela tem o passe livre que amigo nenhum tem, pois fala o que quiser, na hora que quiser, e ainda espera abraço no final. A intimidade vira licença, e a licença, sem fiscalização, se transforma em sabotagem travestida de cuidado.