Alguns começam uma análise em razão de um sintoma que os deixou sem resposta. Alguns se veem pressionados por familiares, chefes ou amigos. Manter um processo no qual você paga para escutar o que não quer escutar sozinho não é para todos, requer coragem. Numa análise, assume-se encarar o olho do furacão.
Bancar nossa parte no sofrimento do qual nos queixamos não é fácil. A sensação é de perda iminente de todas as garantias, risco de não saber mais quem se é. O saldo para quem sustentou o desconforto é a famosa liberdade. Não de fazer tudo, mas de assumir escolhas sem subterfúgios. Caminho suave? Porta errada.
Começo por aí para dizer que não espero menos do que isso dos homens que se queixam de estarem sofrendo por ter que rever os pressupostos da masculinidade patriarcal. De fato é sofrido, quem não prefere se enfiar debaixo das cobertas quando suas certezas são confrontadas?
A crítica é clara, todo homem se beneficia da injustiça entre os gêneros, mesmo que nem todos cometam atos escabrosos. A violência extrema cometida por alguns mantém as mulheres em permanente sobressalto, temendo impor seu desejo aos demais. Não cometer crimes não faz de ninguém um bom homem, exige-se que ele não se omita diante das injustiças que lhe dizem respeito.














