Enquanto aguardava meu voo de volta para São Paulo, no aeroporto de Confins, conversei com a repórter Nathalia Durval, da Folha, sobre o 15 de julho, Dia do Homem —data cuja existência, confesso, eu desconhecia.
A pauta, no entanto, se tratava da chamada crise da masculinidade e o avanço dos discursos "red pill", tema do livro que estou escrevendo neste momento.
Entre os dados apresentados pela jornalista, está a pesquisa realizada em 2023 pelo Instituto Papo de Homem, em parceria com o Pacto Global da ONU - Rede Brasil, a qual mostrou que nove em cada dez homens adultos gostariam de participar de programas que os ajudassem a desenvolver equilíbrio emocional, responsabilidade, cuidado e respeito.
Entre adolescentes de 13 a 17 anos, seis em cada dez disseram não ter praticamente nenhuma referência masculina no cotidiano, e sete em cada dez afirmaram querer aprender a tratar meninas e mulheres com respeito, igualdade e sem violência.
Os dados revelam um aparente paradoxo. Se tantos adolescentes afirmam querer aprender a tratar meninas e mulheres com respeito e sem violência, por que isso continua sendo tão difícil?






