"Poxa, Mirian. Agora que chegou a minha hora de me aposentar, de aproveitar as viagens, os cursos e as leituras que programei, sou obrigada a fazer duas horas de musculação todos os dias e gastar um dinheirão com procedimentos invasivos para não ficar velha? Não aguento mais ouvir que preciso me reinventar e ter mais autoestima. O que significa me reinventar nessa altura do campeonato? Cansei da tirania da autoestima e da obrigação de me reinventar. Que liberdade de envelhecer é essa?"

Escutei essa indagação na minha pesquisa de pós-doutorado em psicologia social com mais de cem mulheres de 50 a 70 anos.

Na pesquisa sobre envelhecimento, autonomia e felicidade, muitas mulheres maravilhosas me confessaram que sofrem da "síndrome da impostora" porque nunca se acham "suficientemente boas".

Mulheres brilhantes disseram que se sentem um fracasso por não terem mais seguidores e engajamento nas redes sociais.

E algumas mulheres super talentosas afirmaram que seriam mais felizes se largassem o trabalho para ganhar dinheiro com "publis" no Instagram.