Em 2007, passei alguns meses na Alemanha dando palestras sobre "o corpo como capital na cultura brasileira". Também fiz cerca de 50 entrevistas e grupos de discussão com mulheres de mais de 50 anos.
O que mais me surpreendeu foi o fato de que quase todas, inclusive as casadas, afirmaram que não tinham mais vida sexual. Mais ainda, elas não demonstraram que a ausência de sexo era um problema no casamento. Ao contrário. Elas valorizavam a confiança, a intimidade e a conversa que tinham com o parceiro como mais importantes do que o sexo.
Naquele momento, vivendo em uma cultura que supervaloriza a vida sexual, não compreendi a lógica conjugal das mulheres alemãs.Minha visão mudou muito. Talvez porque, na minha atual pesquisa de pós-doutorado sobre envelhecimento, autonomia e felicidade com 100 brasileiras de mais de 50 anos, mais da metade afirmou que se aposentou do sexo. Não necessariamente por falta de parceiro, mas por ausência de desejo sexual.
Muitas atribuíram a culpa pela aposentadoria da vida sexual à menopausa ou ao desgaste do relacionamento. Mas o que mais me chamou a atenção é que, para cerca de um quarto das entrevistadas, a ausência de sexo no casamento era considerada natural nessa fase da vida.















