Olhar com humanidade para o adoecimento psíquico masculino é urgente. Precisamos encontrar um caminho conjunto feito pelo desmoronamento de padrões e ideais que aprisionam homens e mulheres e pelo acolhimento de dores silenciadas, que explodem de forma disfuncional.
Percebo os homens hoje, de diferentes gerações, presos num paradoxo que os deixa numa espécie de limbo simbólico. Para a maioria, os parâmetros que definiam sua identidade estão, ao mesmo tempo, sendo questionados e ainda assim desejados —e, incomodamente, não alcançados.
São homens que carregam as cicatrizes de uma educação que associou masculinidade a um imperativo de força e potência inabaláveis. Foram criados por pais e mestres que se faziam de exemplos ao sustentar a casa, a opinião, a palavra final. Exemplos que ensinavam a suprimir os sentimentos, as faltas e as impotências como sinal de amadurecimento, ainda que à custa de um apodrecimento emocional. As conversas, os carinhos e as lágrimas engolidas viraram pus psíquico.
A escritora e teórica feminista bell hooks afirma que o patriarcado é também uma doença emocional para os homens: a primeira violência que exige do homem é contra si, o mandato de matar as próprias partes emocionais. E quando não consegue se anestesiar sozinho, outros homens se encarregam de puni-lo via rituais de poder que atacam sua autoestima.







