O mundo acaba de receber um alerta que não pode ser ignorado. Publicado na revista The Lancet, o estudo do Global "Burden of Disease" 2023 revelou que 1,17 bilhão de pessoas vivem com algum transtorno mental —quase o dobro do registrado em 1990. Os transtornos mentais tornaram-se a principal causa de anos vividos com incapacitação no mundo e a quinta causa de carga global de doenças, saltando da 12ª posição há três décadas.
Entre os dados que mais perturbam está uma mudança sem precedentes: o pico de sofrimento mental, que historicamente recaía sobre adultos de meia-idade, deslocou-se para a faixa de 15 a 19 anos. Os adolescentes tornaram-se o grupo mais afetado do planeta. Mulheres jovens, em particular, concentram uma carga desproporcional de ansiedade e depressão.
Esses dados encontram eco no Brasil. A PeNSE (Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar), que entrevistou 118.099 adolescentes de 13 a 17 anos, revelou que 3 em cada 10 estudantes relatam sentir-se tristes na maioria das vezes; metade diz se sentir muito preocupada; 32% sentiram vontade de se machucar no ano anterior; e 18,5% consideraram que a vida não vale a pena ser vivida. Em todos os indicadores, as meninas apresentam resultados significativamente maiores.








