A chegada do Dia dos Namorados traz consigo um incômodo difícil, mas urgente de ser nomeado se quisermos viver amores que desejemos celebrar. Parece paradoxal que uma data comercial e protocolar escancare justamente o quão protocolar anda o amor que chamamos de feliz.
Vivemos hoje um paradoxo afetivo: 8 a cada 10 brasileiros que namoram ou são casados atribuem notas de 7 a 10 para sua felicidade no amor, mas 1 a cada 3 confessa sentir falta da conexão como casal e não apenas como família. Estes são dados inéditos da pesquisa Raio X da vida afetiva 25–26 desenvolvida por mim e pela psicanalista e pesquisadora Camila Holpert. Com a "On the go", ouvimos mais de mil brasileiros para entender como vivemos e o que queremos do amor.
Estes números refletem queixas que ouço na clínica e nas perguntas enviadas por leitores: afinal, por que me sinto desconectado de alguém com quem construí uma vida que aparentemente funciona tão bem?
Talvez justamente por isso: o que tem feito o amor funcionar é justamente o que o tem esvaziado. Deixamos de ser casal e viramos sócios de uma microempresa. Levamos a lógica da gestão para o amor e transformamos o vínculo em cronograma, parceiro em acionista, fim de semana em sprint.












