Dia 12 foi Dia dos Namorados, a data do calendário reservada aos amantes. Confesso que depois de 11 anos morando fora do Brasil, a data havia caído em desuso no meu relacionamento.
Lá na Inglaterra, o equivalente ao dia 12 de junho brasileiro é o Valentine’s Day, ou Dia de São Valentim, que acontece todo dia 14 de fevereiro, quando o frio ainda é intenso demais pra qualquer comemoração que envolva sair de casa ou —deus me livre— se despir. Passei, portanto, os últimos 11 anos comemorando o dia deste santo do amor em casa, encasacada e, via de regra, invejando pela internet a nudez alheia durante o Carnaval brasileiro.
Este ano, pela primeira vez, cá estava eu novamente, vivendo o dia 12 de junho in loco. Depois de tanto tempo longe, sinto, no entanto, que me tornei uma observadora mais imparcial, capaz de ter um olhar menos envolvido e mais antropológico da data. E nessa nova posição, neste primeiro Dia dos Namorados depois do meu hiato de mais de uma década, observei um fenômeno interessante —porém não tão surpreendente— emergir das redes sociais.
Eu sou do tempo em que se comemorava Dia dos Namorados na privacidade dos jantares à luz de velas, das cobertas dos motéis, dos cartões que acompanham buquês de rosas vermelhas. Mas o que vi neste 12 de junho foi brotarem do chão virtual do Instagram declarações tão apaixonadas quanto públicas.














