Quando pensamos em autoritarismo na América Latina, nos vêm as imagens de generais de uniforme, tanques nas ruas, jornais explicitamente censurados e opositores presos ou desaparecidos. Lembranças importantes para compreender o continente e como chegamos até aqui.

Mas o autoritarismo de hoje parece operar em outra lógica. Parte das instituições democráticas é preservada enquanto pouco a pouco se reduz a capacidade da sociedade de fiscalizar e cobrar o poder.

O que mudou foi a engenharia do autoritarismo, e diferentes instituições passam a atuar de forma coordenada para concentrar poder sem romper formalmente com a ordem democrática.

Sem depender, necessariamente, do fechamento do Congresso, da suspensão das eleições ou da instalação de uma ditadura formal, o autoritarismo convive com eleições periódicas, sistema de justiça, imprensa e Constituições.

Essa leitura é compartilhada por dezenas de organizações reunidas na Juntanza Latino-Americana sobre Proteção.