Em uma América Latina que superou o autoritarismo e reconstruiu o Estado Democrático de Direito há pouco mais de três décadas, nada se mostra mais nefasto do que a degradação institucional da Nicarágua e da vizinha El Salvador. Ambas as nações centro-americanas empenham-se em abolir a alternância de poder.
Poucas dúvidas restavam de que o regime de Daniel Ortega, no comando graças a sucessivas reeleições desde 2006, constituía uma ditadura consolidada na Nicarágua. No domingo (19), o líder demoliu a última delas ao anunciar o fim das eleições presidenciais —a ser levado a cabo por um Legislativo subserviente.
Em El Salvador, a formalização da candidatura a um terceiro mandato em 2027 do presidente Nayib Bukele, que governa sob regime de exceção, acentua sua tendência autocrática. A principal diferença entre os dois regimes está na forte aliança de Bukele com os EUA de Donald Trump e no isolamento de Ortega diante do resto do mundo.
Em duas décadas, a ditadura de esquerda de Ortega demoliu a oposição e a perseguiu até o exílio de suas lideranças. O autocrata capturou o Legislativo e o Judiciário e acumulou vítimas: defensores dos direitos humanos, jornalistas, intelectuais, sindicalistas e sacerdotes da Igreja.











