A ingerência de Donald Trump na América Latina não é apenas uma nova etapa da histórica intromissão dos Estados Unidos na região, avalia Rafael Corrêa, ex-presidente do Equador. É mais explícita, dispõe de mais recursos e, sobretudo, “vem com violência”. Apesar da ação coordenada para afastar o progressismo do poder na região, Corrêa minimiza a “onda azul” dos governos de direita e vê o subcontinente em disputa. Na entrevista a seguir, concedida na segunda-feira 24, durante uma breve passagem por São Paulo, o equatoriano defende o governo de Delcy Rodríguez na Venezuela, afirma confiar na capacidade de reconstrução das esquerdas e chamou a extrema-direita latina de “básica, ignorantona e repressiva”. E também lamenta o exílio na Bélgica. Condenado à prisão, Corrêa evita pisar no próprio país.
CartaCapital: O que acha da atual ingerência do governo Donald Trump nos países da América Latina?Rafael Correa: Na América Latina não há coincidências. A direita se organiza para atuar em conjunto. Foi assim que usaram o lawfare contra mim, contra Cristina Kirchner, contra Lula. Lá atrás foi a Operação Condor. Não é que a ditadura do Uruguai tenha coincidido com aquela do Chile, era algo coordenado. E sempre com os Estados Unidos por trás de tudo. Sempre houve ingerência dos EUA na região, mas desta vez estamos diante de algo mais contundente e voltado para inibir e afastar o progressismo do poder. A ingerência de Trump preocupa porque vem com violência. A intervenção para prender (Nicolás) Maduro, na Venezuela, foi brutal. Morreram cem pessoas, entre elas 32 integrantes das forças cubanas. O que temos hoje é uma ingerência mais descarada, com muito mais recursos e mais violenta.









