É assustador assistir à crescente interpenetração entre a corrupção política e a criminalidade violenta em nosso país. Referindo-se ao escândalo Master, o ministro André Mendonça afirmou: "Aqui há contornos de máfia. Há contornos de crime organizado, mafioso... Não é simplesmente um crime de colarinho branco. É mais do que isso. Não são simplesmente atores ... que praticaram fraudes, corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro".

Mais assustadores, porém, são os indícios do envolvimento de atores individuais e institucionais do próprio sistema de Justiça. Estendem-se a advogados e ao que podemos chamar de facções judiciais. Não estamos falando de advogados "pombos-correio" de organizações criminosas. Falamos de estruturas, em diferentes graus de institucionalização, voltadas à proteção dessas organizações.

Na literatura sobre a máfia, os "mob lawyers" —advogados que deixam de ser meros defensores de criminosos para se tornarem componentes da própria arquitetura de proteção da organização— tornaram-se personagens emblemáticos. A figura paradigmática é Tom Hagen, de "O Poderoso Chefão". Hagen não é simplesmente o advogado que aparece quando um Corleone é acusado. Ele é o "consigliere".