Quando o cientista político italiano Alberto Vannucci, 63, conversou com a Folha em 2016, o Brasil vivia o auge da operação Lava Jato e travava na época uma guerra contra aquilo que o MPF (Ministério Público Federal) dizia ser um sistema de propinocracia –termo usado pelo ex-procurador Deltan Dallagnol para definir um regime de governança corrupta.

Não é um cenário tão diferente do Brasil de hoje. A Lava Jato foi enterrada, mas o país ainda não virou a página da malversação de recursos públicos –contra a qual há uma operação praticamente todos os dias— e deu início ainda a uma nova cruzada: o combate ao crime organizado.

Não são fenômenos distintos nem independentes, disse Vanucci à Folha. Professor de ciência política na Universidade de Pisa, ele diz que crime organizado e corrupção são, na verdade, simbióticos. "Um alimenta o outro", declarou.

Ex-colaborador da Autoridade Nacional Anticorrupção da Itália e pesquisador do assunto há décadas, ele vê semelhanças entre o Brasil e seu país de origem no que diz respeito à ascensão do crime organizado sobre o aparelho estatal. Trata-se aqui do PCC (Primeiro Comando da Capital) ou do CV (Comando Vermelho) e lá, das máfias.

As organizações brasileiras e as italianas operam de maneira semelhante, afirma.