PUBLICIDADE Em mensagem à servidora da Câmara, ex-deputado pede troca de emenda de Governador Valadares 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 0 ex-presidente da Câmara dos Deputados e deputado cassado Eduardo Cunha (PRD-SP) durante a posse da nova legislatura da Casa em fevereiro de 2023 — Foto: Cristiano Mariz/O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 12/07/2026 - 13:09 Interceptação revela críticas de Eduardo Cunha a cidades mineiras A Polícia Federal interceptou mensagens do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, criticando cidades de Minas Gerais, estado pelo qual pretende se candidatar. Cunha, que teve R$ 6,15 milhões bloqueados pelo STF, é suspeito de manipular emendas parlamentares sem mandato. As mensagens, extraídas do celular de uma servidora, evidenciam insatisfação com prefeitos locais e remanejamento de emendas, destacando falta de vínculo político com Minas. A investigação faz parte da Operação Transparência, que apura desvios no orçamento secreto. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Polícia Federal interceptou mensagens entre o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e uma servidora da Casa, em que Cunha demonstra insatisfação com cidades de Minas Gerais, estado pelo qual ele deverá se candidatar nas eleições deste ano. Cunha, cassado em 2016, teve até R$ 6,15 milhões bloqueados por decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), sob suspeita de indicar irregularmente emendas parlamentares destinadas a municípios mineiros mesmo sem ter mandato. A investigação é um desdobramento da Operação Transparência, que apura desvios na distribuição de emendas do chamado orçamento secreto e que, na sexta-feira, já havia levado ao bloqueio de até R$ 119 milhões do presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Entre os diálogos que embasaram a decisão, tornada pública neste domingo, um trecho reproduzido pela Polícia Federal mostra Cunha reclamando justamente de cidades no estado pelo qual pretende se eleger em outubro. As conversas foram extraídas do celular de Mariângela Fialek, a Tuca, servidora da Câmara apontada como operadora do esquema de manipulação de emendas parlamentares. Em uma delas, o ex-deputado resolve um impasse trocando a cidade beneficiada por uma emenda: "Boa tarde, desculpa, mas eu não aguento mais esses mineiros enrolados. Troca a de Governador Valadares por essa, pois lá também criaram caso pedindo ofício etc. É mais fácil trocar", escreveu. Na representação que embasou a decisão de Dino, a PF afirma que "mais simbólico ainda no sentido do descontrole político e desvinculação ao interesse público dessas destinações é o fato de que o ex-deputado nunca manteve vinculação política com o Estado de Minas". No documento, a PF destaca que, em alguns trechos, Cunha demonstra pouco apreço pelo Estado e pelos prefeitos com quem mantinha interlocução. "Nesse sentido, ainda que o efetivo desvio dos recursos públicos em benefício próprio não seja pressuposto do delito de peculato, chama a atenção que um pré-candidato a deputado federal por Minas – Estado junto ao qual nunca manteve vínculo político – busque angariar recursos para municipalidades. É evidente a tentativa de cooptar apoio político local para a eleição que se aproxima", diz a investigação. Municípios trocados nas conversas A mensagem sobre os "mineiros enrolados" não é a única em que Cunha remaneja destinos de emendas nos diálogos analisados pela PF. Em setembro de 2025, diante de um conflito local sobre a autoria de uma emenda destinada a Manhuaçu, o ex-deputado desiste do repasse e manda substituir o município: "Bom dia. Trocar Manhuaçu por essas para acabar com a confusão", escreve, indicando em seguida o Fundo Municipal de Saúde de Governador Valadares e a Associação Hospital Belizário Miranda como novos destinatários. Sobre a disputa, resume: "Cidade pequena é uma guerra". Em outra passagem, ao pedir remanejamentos envolvendo os municípios de Matias Barbosa, Pedrinópolis e Varjão de Minas, Cunha se desculpa com a servidora: "Desculpa o trabalho, mas Minas é muito pulverizado". Tuca responde: "Tranquila. São muitos municípios mesmo". Para os investigadores, as emendas, que foram "criadas para atender demandas legítimas de representantes eleitos", acabaram "subordinadas a um esquema informal coordenado por quem não mais responde ao eleitorado, ao Parlamento ou às regras republicanas de transparência". Além do bloqueio de bens, a decisão de Dino, assinada em 6 de julho, suspendeu a execução de todas as emendas sob suspeita.
'Não aguento mais esses mineiros enrolados', escreveu Cunha, pré-candidato a deputado por Minas, em diálogo citado por Dino
Em mensagem à servidora da Câmara, ex-deputado pede troca de emenda de Governador Valadares









