Presidente do PL e ex-presidente da Câmara tiveram bens congelados em apuração sobre uso irregular de emendas parlamentares 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Flávio Bolsonaro e Eduardo Cunha noes estúdios da Rádio Maravilha, em BH — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 12/07/2026 - 21:37 Aliados de Bolsonaro Apoiam Valdemar, Mas Ignoram Cunha em Crise de Emendas Aliados bolsonaristas rapidamente apoiaram Valdemar Costa Neto, presidente do PL, após investigação sobre uso irregular de emendas parlamentares, mas mantiveram silêncio em relação a Eduardo Cunha. Enquanto Flávio e Eduardo Bolsonaro defendem Valdemar, Cunha, apesar de apoiador de Bolsonaro, não recebeu o mesmo respaldo, destacando divisões internas no grupo. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Aliados do pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) tiveram reações diferentes em relação às investigações que miraram o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (Republicanos-MG). Enquanto bolsonaristas se colocaram rapidamente ao lado de Valdemar, o gesto não foi repetido para Cunha. Até o fim do domingo, os principais nomes da oposição, como Flávio Bolsonaro, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-RN) e o senador Rogério Marinho (PL-RN) não se manifestaram em relação ao ex-presidente da Câmara. Apesar de Cunha ser apoiador de Jair Bolsonaro, parte dos seguidores do ex-presidente resiste a fazer gestos sólidos que indicam proximidade com o ex-presidente da Câmara, que ficou preso de 2016 a 2023 durante a operação Lava-Jato. Cunha chegou a negociar se filiar ao PL para disputar o mandato de deputado federal em Minas neste ano, mas a negociação foi travada. A filha dele, a deputada Dani Cunha, no entanto, se filiou ao partido de Flávio Bolsonaro, e vai concorrer à reeleição no Rio de Janeiro. Valdemar e Cunha foram alvos de investigações da Polícia Federal por indicações de emendas parlamentares mesmo sem possuir mandato. A decisão do ministro Flávio Dino, divulgada na sexta-feira, determinou o bloqueio de até R$ 119 milhões em bens do presidente do PL. Ele é suspeito, segundo o despacho do ministro, de ser o autor real das indicações e beneficiário político de 21 repasses, mesmo sem ter um mandato parlamentar. No dia que a decisão mirando o presidente do PL foi tomada, os principais nomes do bolsonarismo se colocaram ao lado de Valdemar. Flávio Bolsonaro divulgou uma nota em que disse ser natural o presidente do partido negociar emendas. “Como presidente do maior partido do Brasil, é natural que ele atue politicamente junto a deputados federais, em especial os do próprio PL. Lamentável ver a PF atuando de forma seletiva para constranger um adversário político do atual governo”. Da mesma forma, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, declarou que não vê irregularidade cometida pelo presidente do partido. “Nunca recebi qualquer pedido do presidente @CostaNetoPL para indicar emendas e, justamente por isso, sinto-me à vontade para esclarecer algo que nem todos conhecem: a indicação de emendas parlamentares é uma prática do ofício de todos os deputados e senadores, independentemente de partido ou espectro ideológico", declarou. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha de Flávio, não se manifestou diretamente nas redes, mas republicou a nota de Flávio e uma outra postagem em que diz que não há indícios de crime de Valdemar. O influenciador Paulo Figueiredo, aliado próximo de Eduardo, indicou que possui um afastamento político do presidente do PL, mas criticou a investigação. “Não tenho nenhum amor pelo Valdemar — e ele sabe. Mas, não é meio evidente que o presidente de QUALQUER PARTIDO influencie as suas emendas parlamentares? O ex-membro de um partido político está criminalizando a atuação do presidente do partido de oposição. Regime a todo vapor”. Procurado, Valdemar negou qualquer irregularidade na atuação dele ao negociar as emendas. — O que o ministro Flávio Dino deve ter pensado é que eu teria uma cota da presidência (do PL) porque já foi ventilado isso lá atrás lá no Congresso. Eu fui contra, não foi pra frente isso. Não é cota, é sugestão que a gente faz. Os prefeitos vêm pedir para gente e a gente faz de acordo com as necessidades. E quem faz é o líder (do PL na Câmara), eu mando para lá, mas quem faz é o líder, eu não posso fazer. Por sua vez, também por decisão do ministro Dino, divulgada neste domingo, Cunha teve até R$ 6 milhões em bens bloqueados. O ministro do STF citou apurações da PF para considerar que há indícios de que o ex-parlamentar negociou emendas mesmo sem mandato eletivo desde 2016. Cunha declarou que irá contestar a decisão do ministro do STF. Em nota, a defesa negou que ele tenha exercido um "mandato clandestino" e afirmou que não participou formalmente da apresentação das emendas investigadas. As conversas usadas para embasar as duas decisões foram extraídas do celular de Mariângela Fialek, a Tuca, servidora da Câmara apontada como operadora do esquema de manipulação de emendas parlamentares. A investigação é um desdobramento da Operação Transparência, que apura desvios na distribuição de emendas do chamado orçamento secreto.