Fontes já havia afirmado a proposta da empresa incluía a eliminação de até 100 mil postos de trabalho em todo o grupo e o possível fechamento de quatro fábricas na Alemanha Trabalhadores protestam em frente à fábrica da Volkswagen em Zwickau, Alemanha — Foto: Jan Woitas/dpa via AP Os influentes representantes dos trabalhadores da Volkswagen bloquearam um amplo plano de reestruturação, disseram duas fontes da companhia à Reuters nesta sexta-feira (10), ressaltando o desafio enfrentado pelo diretor-presidente, Oliver Blume, para reformular a maior montadora da Europa. Blume busca simplificar a extensa estrutura do grupo alemão, que enfrenta uma concorrência cada vez mais intensa da China, bilhões de euros em custos relacionados às tarifas dos Estados Unidos e preocupações com a competitividade de suas fábricas domésticas. Mas a estrutura de governança da Volkswagen, que concede aos representantes sindicais e ao Estado da Baixa Saxônia maioria no conselho de supervisão, torna o processo de tomada de decisões mais complicado. Em uma reunião do conselho de supervisão realizada na quinta-feira (9), o colegiado votou por 12 votos a 7 contra a proposta de reestruturação da administração, após a oposição dos representantes dos trabalhadores, disseram as fontes. Evidenciando a pressão enfrentada pela empresa, a Volkswagen informou, nesta sexta-feira (10), uma queda de 8,6% nas entregas do segundo trimestre, o maior recuo em quatro anos. A Volkswagen divulgou um comunicado após a reunião do conselho, mas analistas afirmaram que o “plano para o futuro” apresentado carece de detalhes e demonstra a incapacidade da administração de implementar medidas mais duras. Fontes familiarizadas com o assunto haviam afirmado anteriormente que a proposta de Blume incluía a eliminação de até 100 mil postos de trabalho em todo o grupo e o possível fechamento de quatro fábricas na Alemanha. Em seu comunicado divulgado no fim da quinta-feira, a Volkswagen não mencionou cortes de empregos nem fechamento de fábricas. Em vez disso, reiterou objetivos amplamente conhecidos de redução da complexidade, medidas que não exigiam aprovação do conselho de supervisão. Analistas do Jefferies afirmaram que “não há indicação de progresso rumo a um acordo”. Já analistas da Bernstein disseram que o plano está “repleto de ideais, mas muito pobre em especificidades”. Alguns analistas receberam positivamente os planos de simplificação, que incluem a redução da capacidade global de produção para 9 milhões de veículos por ano, ante 10 milhões atualmente, além da diminuição do número de modelos em até 50%. A reformulação redesenharia gradualmente um portfólio de produtos que inclui as marcas de massa Volkswagen e Skoda, a fabricante de carros esportivos Porsche e a marca de luxo Lamborghini. Trabalhadores fizeram manifestações contrárias O maior sindicato industrial da Alemanha, o IG Metall, realizou manifestações na quinta-feira em unidades do Grupo Volkswagen em todo o país, instando a administração a apresentar uma estratégia que preserve a produção. O conselho de trabalhadores exigiu esclarecimentos sobre os planos de redução de custos da administração até o fim desta sexta-feira. Em carta enviada aos funcionários, o órgão alertou: “O segundo semestre será difícil”. O atual acordo trabalhista da Volkswagen inclui uma trégua em relação a greves, mas os sindicatos ameaçaram intensificar as ações industriais caso a administração tente reabrir compromissos relacionados à segurança do emprego. Apesar das tensões, ambas as partes concordam quanto à magnitude dos desafios enfrentados pela Volkswagen, cujas margens de lucro foram reduzidas pela metade nos últimos cinco anos em meio à fraqueza na China, aos custos da eletrificação e às tarifas. O chanceler alemão, Friedrich Merz, que aparece atrás do partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha nas pesquisas de opinião, prometeu reformas destinadas a melhorar a competitividade da Alemanha. “Todos os envolvidos estão plenamente cientes de que a Volkswagen e a indústria automobilística como um todo enfrentam atualmente uma situação crítica, em um ambiente competitivo internacional extremamente desafiador”, afirmou o primeiro-ministro da Baixa Saxônia, Olaf Lies. Fontes familiarizadas com o assunto disseram que a Baixa Saxônia, Estado que abriga a sede da Volkswagen em Wolfsburg, tentou intermediar um compromisso durante as discussões do conselho de supervisão. Uma fonte afirmou que o Estado planejava apresentar sua própria proposta, mas a ideia acabou sendo abandonada. A fonte não forneceu detalhes. O governo da Baixa Saxônia se recusou a comentar.