A chegada do El Niño deve forçar o Brasil a acionar a geração de energia das usinas termelétricas, fontes consideradas poluentes e caras. Mas o fenômeno também deve abrir mais espaço para o uso de energias renováveis e pode reduzir a incidência de cortes na geração dessas fontes.

O fenômeno climático, que pode ter intensidade inédita, agravará a seca no Norte e Nordeste do país e reduzirá as chuvas no Sudeste, diminuindo fluxo de rios e níveis de reservatórios em 2027. O impacto será direto na geração das usinas hidrelétricas, a base da matriz energética brasileira.

Para evitar um apagão, esse espaço precisará ser ocupado, e a decisão de quais fontes utilizar para isso será tomada a partir de critérios de custo e disponibilidade.

As renováveis —eólica e solar— são mais baratas e ganham potência com a seca, devendo ter preferência. Ao mesmo tempo, são mais instáveis: geram mais energia conforme a luz do sol ou a força do vento. Já as térmicas, apesar de terem um peso maior na conta de luz, são acionadas segundo a demanda.

Diante desse cenário, o próprio ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) admite que a solução será utilizar as renováveis, quando disponíveis, mas sem abrir mão das usinas térmicas de gás natural e carvão.