Ministro de Minas e Energia defendeu leilão que contratou usinas termelétricas"Posso afirmar que isso nos dará segurança energética para a próxima década", disse Alexandre Silveira no dia da realização do leilão. Crédito: Repordução Youtube Ministério de Minas e EnergiaGerando resumoO super El Niño, que tende a se formar ao longo dos próximos meses, pode trazer consequências para o bolso do brasileiro no ano que vem, com um aumento mais elevado da conta de luz. Para preservar os reservatórios das hidrelétricas, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) poderá ter de acionar mais as termelétricas em 2027, que geram energia mais cara, pois, com o evento climático extremo, a reserva feita durante o último período chuvoso pode diminuir mais intensamente e entrar no próximo ano com o nível dos reservatórios mais baixo.PUBLICIDADECom menos água disponível nos reservatórios, o sistema pode depender mais das termelétricas, que produzem energia mais cara. Isso aumenta a chance de bandeiras tarifárias mais elevadas e de contas de luz mais caras para consumidores e para as empresas.“A evolução das condições hidrológicas ao longo dos próximos meses e, principalmente, o comportamento das chuvas durante o próximo período úmido serão determinantes para a formação de preços em 2027”, disse o gerente de Preços e Estudos de Mercado da consultoria Thymos, Pedro Moro. A projeção da Thymos aponta para um Preço da Liquidação das Diferenças (PLD) — valor de referência para o mercado de energia usado nas negociações e que influencia os custos do setor — médio entre R$ 150 por megawatt-hora (MWh) e R$ 200/MWh no segundo semestre de 2026. “Esse intervalo representa uma média para o período. Mesmo em um cenário de reservatórios relativamente confortáveis, podem ocorrer oscilações relevantes entre os meses e ao longo das horas do dia, em função das condições hidrológicas, meteorológicas e operativas do sistema”, disse Moro.PublicidadeLeia tambémCongresso se articula para derrubar vetos de Lula e recuperar ‘jabutis’ do setor elétricoNova fronteira de investimentos: baterias podem atrair R$ 57 bi em dez anos para o BrasilEle pondera, no entanto, que os efeitos do El Niño podem variar de forma relevante entre as regiões do País e ao longo do tempo. No Sul, o fenômeno tende a provocar chuvas mais intensas durante a primavera, com efeito potencialmente positivo sobre o cenário hidrológico. Por outro lado, o fenômeno costuma reduzir as chuvas no Norte e no Nordeste durante o próximo período úmido, a partir de novembro. Esse efeito pode se tornar mais relevante para o balanço energético e para a formação de preços ao longo de 2027.“Adicionalmente, temperaturas mais elevadas durante a primavera podem aumentar a demanda por energia e contribuir para a ocorrência de consumo elevado de energia e de PLD, ampliando a volatilidade diária dos preços”, disse o especialista. “A influência mais direta do fenômeno é o acionamento das bandeiras tarifárias, que adicionam taxas extras à conta de luz.”Segundo a projeção da Thymos, a bandeira tarifária deve permanecer amarela até novembro. E em dezembro há possibilidade de bandeira verde, ou seja, sem taxa.Mateus Cavaliere, responsável por Planejamento e Inteligência de Mercado da consultoria PSR, ressalta que um dos efeitos do El Niño pode ser um período chuvoso mais intenso também no Sudeste, o que favoreceria o armazenamento de água na região.PublicidadeReservatórios de hidrelétricas da região Norte e Nordeste podem sofrer com a seca Foto: Roney Vieira/Norte Energia“Temos de ver se ele (El Niño) vai ficar restrito à região Sul ou se vai para o Sudeste e, com isso, encher mais os reservatórios. Mas aumentos dos custos podem ser vistos ainda este ano, pois, apesar de os reservatórios estarem cheios agora, a depender do período seco, o sistema elétrico pode ficar mais pressionado com um consumo maior.”Para 2027, a depender da severidade do El Niño, ele acredita que pode haver elevação dos custos e a manutenção dessas despesas no ano seguinte. “Se o nível dos reservatórios cair muito, isso pode se estender para 2028; é um cenário que não deve ser dispensado.”O importante é a coesão do setor para minimizar os impactosCavaliere disse ainda que o papel da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) é fundamental na coordenação com os diferentes atores para situações mais extremas do clima, como o El Niño. “As distribuidoras do Sul, por exemplo, devem estar preparadas para eventos como enchentes. Já as transmissoras podem ver aumento das perdas nas linhas de transmissão. Com o aquecimento dos cabos em épocas de calor intenso, isso coloca mais pressão sobre a rede.”Segundo ele, as empresas já trabalham em medidas para mitigar os efeitos de eventos extremos, como o monitoramento via satélite e planos de contingência com as equipes técnicas para dar um atendimento mais rápido aos clientes. “Existe muita gente falando da potencialidade do El Niño, mas o mais importante é a coesão do setor para tentar minimizar ao máximo o impacto, e isso é um trabalho da Aneel.”PublicidadePUBLICIDADENa próxima segunda-feira, 22, a agência reguladora vai realizar uma reunião com agentes do setor e órgãos governamentais sobre as medidas preventivas de enfrentamento ao El Niño. O encontro será na sede da Âmbar Energia Amazonas, em Manaus (AM).Para o coordenador-geral do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) da UFRJ, Nivalde de Castro, o risco maior do El Niño será calibrado a partir de outubro e o problema pode passar para 2027, caso o efeito do evento climático seja mais severo.“Mas, tem risco de apagão? Não, porque há outras fontes que podem entrar no sistema. O que acontece é que vai acionar principalmente as termelétricas para economizar os reservatórios, e isso vai fazer com que a bandeira tarifária aumente”, disse Castro. “Custa mais caro do que outras fontes. O efeito do El Niño impacta diretamente no custo da energia elétrica e, consequentemente, na inflação.”Elétricas se preparam para super El NiñoEm um cenário de um super El Niño, empresas e autoridades do setor elétrico trabalham em medidas para mitigar impactos nas redes de distribuição e transmissão de eletricidade e nas usinas de geração, bem como fortalecem planos de contingência que permitam melhor resposta em caso de eventos extremos.PublicidadeA experiência acumulada após episódios recentes vem servindo como guia para evitar novos impactos severos a equipamentos, redes e instalações e aprimorar o planejamento para enfrentar as ocorrências. Na Copel, que lidou em novembro do ano passado com os reflexos de um tornado de categoria F4, com ventos que chegaram a 400 km/h no município de Rio Bonito do Iguaçu (PR), além da revisão do plano de contingências, a empresa está aumentando a força de trabalho e aprimorando o uso de tecnologia para planejamento das operações.Segundo o superintendente de Operação e Manutenção da Copel, Gustavo Theodor Carvalho, após 10 anos, a empresa está em fase de contratação de eletricistas e os novos funcionários deverão concluir o treinamento em agosto, às vésperas do período de possível maior impacto do El Niño, a partir da virada do inverno para a primavera, em setembro. Serão mais de 100 novos profissionais, que poderão atuar no primeiro atendimento de ocorrências.Adicionalmente, a companhia aposta em uma ferramenta de inteligência artificial desenvolvida em parceria com o Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), que indica o impacto operacional de eventos climáticos previstos para o período de sete dias à frente. “Isso se mostrou muito assertivo nos temporais do ano passado e temos trabalhado para que o uso da ferramenta ajude a empresa a posicionar equipes e equipamentos antes dos eventos”, disse Carvalho, citando que a medida permite direcionar equipes de trabalho de maneira mais eficiente.Já na CPFL Energia, que enfrentou as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024, algumas situações vivenciadas na ocasião devem ser evitadas agora. A empresa realizou no último ano obras de ajustes para evitar novos impactos de eventuais cheias, afirmou o presidente da companhia, Gustavo Estrella. Numa subestação que ficou inundada à época, por exemplo, a casa de máquina foi realocada para um pavimento superior, o que deve permitir evitar problemas com eventuais novas inundações.PublicidadeParcerias entre empresas e governoDurante evento do setor de distribuição realizado semana passada, Estrella, da CPFL, também citou lições aprendidas relacionadas à capacidade de mobilização, à comunicação com a população, à colaboração entre órgãos de governo e também entre as próprias empresas do setor. “A parceria com esses setores é fundamental para que a gente possa mobilizar os esforços e conseguir enfrentar a crise”, disse.É exatamente o que vem fazendo a Celesc, que estruturou, em parceria com a Secretaria de Defesa Civil do governo de Santa Catarina, um plano de contingência que favoreça a atuação preventiva e coordenada, como contou o presidente da companhia, Edson Moritz, no mesmo evento. A iniciativa inclui monitoramento meteorológico permanente, mobilização antecipada de equipes nas 16 diferentes regionais da companhia e a distribuição de equipamentos para uso emergencial, como baterias e geradores próprios, e acionamento de estruturas de apoio, conforme a gravidade de cada evento.Moritz classificou o plano como “muito avançado” e citou aprendizados da experiência vivida com o enfrentamento das inundações registradas em outubro de 2023, quando ele estava à frente da empresa de saneamento, Casan. “Santa Catarina, por sua característica, tem vento no oeste, água no meio-oeste, inundações, problemas de barragens, que precisam ser controlados. Ou seja, é um ecossistema muito complexo e exige, de todos nós, uma grande flexibilidade de gestão”, disse.Em âmbito federal, o Ministério de Minas e Energia (MME) e a Aneel também vêm realizando esforços de monitoramento e mobilização visando medidas preventivas frente à perspectiva de um “super El Niño”. A agência reguladora marcou para a próxima segunda-feira uma reunião com agentes do setor e órgãos governamentais para discutir as medidas preventivas de enfrentamento ao fenômeno El Niño, em Manaus (AM).PublicidadeAdicionalmente, enviou um ofício às empresas responsáveis por empreendimentos hidrelétricos, alertando para a necessidade de ações preventivas com foco em segurança de barragens, visando identificar e mitigar fatores de risco que possam implicar redução do nível de segurança das barragens e estruturas associadas.O responsável por Planejamento e Inteligência de Mercado da consultoria PSR, Mateus Cavaliere, disse considerar o papel da Aneel fundamental na coordenação com os diferentes atores para situações mais extremas do clima, como o El Niño. “Existe muita gente falando da potencialidade do El Niño, mas o mais importante é a coesão do setor para tentar minimizar ao máximo o impacto, e isso é um trabalho da Aneel.”Conjunto de medidas com foco na prevençãoO Grupo Energisa informou que vem aprimorando, desde 2011, sua atuação em eventos climáticos extremos, com foco em prevenção, monitoramento e resposta. Destacou que, desde dezembro de 2025, também se prepara para atender às exigências da Resolução Normativa da Aneel nº 1.137, criada para fortalecer a atuação das distribuidoras em situações de eventos extremos, com diretrizes mais claras para ações preventivas, como poda e manejo da vegetação, além de reforçar procedimentos relacionados à resposta a emergências, à comunicação com a população e à divulgação de informações sobre interrupções e previsão de restabelecimento do fornecimento.Segundo a empresa, a preparação das nove distribuidoras do grupo, que atuam no Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Norte do País envolve frentes específicas para ondas de calor, queimadas, tempestades e outras contingências, buscando reduzir vulnerabilidades, acelerar o restabelecimento do serviço e preservar a segurança de clientes, colaboradores e comunidades.Publicidade