Fenômeno climático deve diminuir chuvas e aumentar calor no segundo semestre 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Linhas de transmissão de energia no Rio — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 27/07/2026 - 20:25 El Niño: ONS Reforça Prontidão de Termelétricas para Evitar Crise Energética no Brasil O fenômeno El Niño preocupa o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que solicitou a prontidão das usinas termelétricas para garantir o abastecimento energético no período crítico de setembro a dezembro. A medida visa compensar a redução de chuvas e o aumento da demanda energética devido ao calor. O ONS também pediu comunicação antecipada sobre manutenções e eventuais paralisações, enquanto o governo antecipou contratos para garantir energia. El Niño impactará principalmente as regiões Sul, com mais chuvas, e Norte-Nordeste, com menos, além de elevar as temperaturas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Preocupado com o impacto do fenômeno climático El Niño no abastecimento de energia deste ano, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) solicitou a todos os proprietários de usinas termelétricas do país uma série de providências de modo a garantir que essas estruturas estejam disponíveis no período mais crítico, que é a partir de setembro. O órgão pediu a maximização da disponibilidade de geração termelétrica. O apelo é para que as usinas fiquem de prontidão para permitir o atendimento energético em caso de necessidade de acionamento no período que vai de setembro até a primeira quinzena de dezembro deste ano. Usina de Belo Monte em Altamira, no Pará: risco de seca — Foto: Joédson Alves/Agência Brasil A expectativa para esta segunda metade do ano é de seca no centro-sul do país, com redução dos reservatórios de hidrelétricas com menos chuvas e maior demanda de energia com temperaturas mais elevadas, e riscos de enchentes na Região Sul. Normalmente, o período seco do país já compreende esses meses, mas ele tende a ser agravado por conta do fenômeno climático. O Operador solicitou também que as empresas sinalizem de forma antecipada as manutenções programadas e eventuais postergações de manutenções em execução. Outro pedido foi para que os agentes informem rapidamente ao governo se houver uma paralisação temporária das atividades ou falta de combustível, para não frustrar o planejamento da operação diária do setor. O que é o El Niño? O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico. Quando persiste por vários meses, ele altera a circulação atmosférica global e interfere nos padrões de temperatura e chuva em diferentes regiões do mundo, inclusive no Brasil. A previsão é de aumento progressivo da intensidade do El Niño no decorrer do segundo semestre de 2026. Os efeitos dele são mais evidentes na Região Sul e no Norte-Nordeste, que apresentam, respectivamente, chuva superior e inferior à média histórica. O El Niño também faz com que a temperatura fique acima da média, com possibilidade de aumento da frequência de episódios de ondas de calor no Sudeste. Isso para o setor elétrico é preocupante porque gera um aumento significativo da demanda energética. Com isso, há um quadro de elevada demanda, baixa geração de usinas eólicas e condições desfavoráveis de chuvas. Por isso, para o ONS, é necessário o uso complementar de usinas termelétricas durante o período seco. Na semana passada, o governo já antecipou contratos dos Leilões de Reserva de Capacidade como forma de garantir o abastecimento. Essa licitação contrata usinas para ficarem prontas para serem acionadas em momentos críticos da operação. O El Niño irá pegar o setor elétrico brasileiro numa situação delicada. Mesmo com a abundância de fontes renováveis em determinados momentos do dia, há necessidade de acionar termelétricas nos horários de pico de demanda — e quando há uma menor geração por eólica e solar.