Projeção aponta que reço médio de curto prazo da energia deve rondar os R$ 300 por MWh na segunda metade de 2026, salto frente aos R$ 250/MWh do mesmo período ano passado Cenário climático amplia incertezas sobre o volume de geração hídrica e custos de curto prazo — Foto: Divulgação As geradoras de energia enfrentarão um cenário de alta volatilidade nos preços no segundo semestre, pressionadas pelos efeitos climáticos do El Niño, diz a Fitch Ratings. Os analistas liderados por Marcela Araújo escrevem que o impacto na geração de caixa variará conforme a estratégia de contratação de cada companhia, mas geradoras expostas ao risco de preço sentirão uma pressão financeira mais intensa. A projeção aponta que o preço médio de curto prazo da energia no Brasil deve rondar os R$ 300 por megawatt-hora (MWh) na segunda metade de 2026, um salto em relação aos R$ 250/MWh registrados no mesmo período do ano passado. A dinâmica de preços reflete as alterações no regime de chuvas provocadas pelo El Niño. Enquanto o fenômeno eleva as precipitações no Sul e Sudeste, ele intensifica a seca no Norte, onde estão as maiores usinas hidrelétricas do país. Somado às altas temperaturas que impulsionam o consumo, esse cenário climático amplia as incertezas sobre o volume de geração hídrica e os custos no mercado de curto prazo. A Auren Energia, por exemplo, apresenta uma maior necessidade de ir ao mercado comprar energia para honrar seus contratos de venda, o que pode pressionar duramente seu fluxo de caixa caso essas aquisições ocorram em momentos de pico tarifário. Na ponta oposta, a Axia Energia carrega uma posição descontratada elevada, o que a coloca em vantagem para capturar ganhos com a venda de energia a preços mais altos, afirma a agência. Além dos desafios puramente financeiros, o clima extremo traz riscos operacionais tangíveis, como danos estruturais em linhas de transmissão e instalações hidrelétricas, o que pode afetar cerca de 30% das empresas que possuem ativos nas regiões Sul e Sudeste.