Confirmação da alta probabilidade de um El Niño forte deve sustentar a perspectiva de preços mais altos de energia elétrica no Brasil, apontam analistas Fenômeno climático ameaça suprimir as precipitações para níveis abaixo das médias históricas — Foto: Divulgação/ENGIE O Scotiabank elevou os preços-alvos de Auren Energia, de R$ 12 para R$ 15, potencial de alta de 21,7% sobre o fechamento de segunda-feira (13), mantendo recomendação de compra, e das ações ordinárias de Axia Energia, de R$ 53 para R$ 64, potencial de alta de 22,2%, reiterando recomendação neutra. Os analistas Renato Pinto e Pedro Nascimento escrevem que a confirmação da alta probabilidade de um El Niño forte deve sustentar a perspectiva de preços mais altos de energia elétrica no Brasil. Eles afirmam que os investidores não devem deixar que as atuais dinâmicas de curto prazo do mercado, com preços mais baixos no mercado à vista, ofusquem as perspectivas estruturais do setor. As previsões indicam um aumento de temperatura acompanhado de uma queda acelerada dos reservatórios a partir do quarto trimestre, com o fenômeno climático ameaçando suprimir as precipitações para níveis abaixo das médias históricas. Refletindo esse cenário mais restrito no futuro, o banco elevou suas projeções de preços de energia de longo prazo de R$ 200 por megawatt-hora (MWh) para R$ 240/MWh, ajustando também as estimativas de Auren e Axia. Embora os baixos preços à vista prejudiquem a Axia no segundo e terceiro trimestres, a companhia detém um forte poder de precificação por ser a maior geradora de energia do Brasil com a maior quantidade de energia descontratada. Já a Auren possui uma posição “vendida” estrutural de cerca de 150 megawatts (MW), o que se traduz em um cenário altamente favorável no atual ambiente de preços baixos, abrindo caminho para um forte desempenho operacional. O risco permanece sendo os “curtailments” – os cortes forçados de geração, impulsionados pelo crescimento contínuo da geração distribuída pela expansão da energia solar em telhados.