Com a estratégia, Operador pode enviar a energia do Sul do país por linhas de transmissão para onde há necessidade de demanda e preservar hidrelétricas localizadas em rios que estejam sob efeitos da seca O plano do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para enfrentar os efeitos de um possível “Super El Niño” este ano envolve retardar ao máximo possível o uso dos reservatórios da hidrelétrica de Itaipu e das usinas localizadas no Sul do país. O El Niño ocorre quando há aquecimento das águas do Oceano Pacífico na região equatorial, causando seca no Norte do país, chuvas intensas no Sul e incerteza climática em uma região intermediária do Brasil. De acordo com o diretor de planejamento do ONS, Alexandre Zucarato, o plano envolve manter o reservatório das usinas o mais cheio possível até que tenha início a transição do período seco para o chuvoso, que inicia em dezembro. Leia mais: Ao manter os reservatórios secos, em caso de uma estiagem mais intensa, que exija uso dos reservatórios, o ONS pode enviar a energia do Sul do país por linhas de transmissão para onde há necessidade de demanda e preservar outras hidrelétricas, localizadas em rios que estejam sob efeitos da seca. As usinas do Sul do país são do tipo fio d’água, com baixa capacidade de armazenamento de água. Se as chuvas forem abundantes no Sul, a estratégia do ONS fica mais facilitada, afirmou. “O objetivo é segurar esses ativos até meados de setembro para que, se o período chuvoso atrasar, a gente possa ter uma reserva estratégica de potência das usinas. O Sul está enchendo, então agora o objetivo é manter o Sul cheio, porque se esvaziar, o Sul esvazia muito rápido”, disse Zucarato a jornalistas depois de participar do Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico (Enase). Essa gestão é feita combinada com os reservatórios das bacias dos Rios Grande e Paranaíba, as quais têm hidrelétricas com grandes reservatórios de acumulação de água. Para essa estratégia funcionar, também vai depender da temperatura que será registrada nos próximos meses. Um desafio para o ONS está no horizonte de previsões de clima, em geral de uma a duas semanas. “Se forem [registrados] aqueles veranicos, é outra realidade, é o tipo de coisa que temos dificuldade de acertar a previsão de temperatura de véspera”, afirmou. Zucarato ressaltou ainda que no momento os níveis de reservatórios estão “andando de lado” (estáveis), devido a chuvas que ocorrem em parte do país, associadas a temperaturas mais amenas, o que influi, de modo positivo, na operação. Segundo o executivo, “quanto mais o reservatório andar de lado, melhor, menos meses sobram entre hoje e o próximo período de chuvas”, porque retarda o acionamento dos esquemas de operação para períodos de seca. Vista das comportas da hidrelétrica de Itaipu Binacional — Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Plano do ONS contra ‘Super El Niño’ envolve preservar ao máximo geração de Itaipu
Com a estratégia, Operador pode enviar a energia do Sul do país por linhas de transmissão para onde há necessidade de demanda e preservar hidrelétricas localizadas em rios que estejam sob efeitos da seca











