Com frequência, no debate público, reaparece um discurso que tem como objetivo explorar ao máximo a justa insatisfação da população com a qualidade do ensino para vender falsas soluções 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Professora dá aula em escola de Jacareí (SP) — Foto: Alex Brito/Prefeitura de Jacareí/Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 05/07/2026 - 22:11 Homeschooling no Brasil: Solução ou Ilusão para a Educação? O debate sobre homeschooling no Brasil frequentemente explora a insatisfação com a qualidade da educação para promover soluções falsas, defendidas por grupos ultraconservadores. Embora regulamentada em alguns países, a prática não melhora níveis sistêmicos de aprendizagem. A qualidade do professor é crucial, e a escola, apesar dos desafios, é essencial para mediar conflitos e promover valores cívicos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A educação brasileira acumula sérias mazelas, que precisam ser devidamente enfrentadas. Mas com frequência, no debate público, reaparece um discurso que tem como objetivo explorar ao máximo a justa insatisfação da população com a qualidade do ensino para vender falsas soluções. É isso que ocorre com o ensino domiciliar, ou homeschooling, tratado como prioridade por grupos ultraconservadores que tentaram, mais uma vez na semana passada, avançar com o tema no Congresso. A prática é regulamentada em alguns países, e isso não necessariamente é um problema, pois há situações excepcionais – comunidades isoladas, povos nômades, famílias em trânsito – em que pode fazer sentido recorrer a essa estratégia para que crianças não deixem de estudar. Mas nenhum país de alto desempenho educacional no mundo — nenhum — aposta no homeschooling como estratégia para melhorar níveis sistêmicos de aprendizagem e bem-estar de seus alunos. No Brasil, porém, o ensino domiciliar é frequentemente defendido como um contraponto à má qualidade da educação. Crianças aprenderiam melhor, estariam mais seguras e teriam uma educação compatível com os valores familiares. Claro que há também todo um mercado pronto a lucrar com a venda de seus produtos caso a prática seja mesmo regulamentada, o que é menos falado. Sobre aprendizagem, a literatura acadêmica mostra que, dentre os fatores intraescolares, nenhum é mais importante do que a qualidade do professor. E há, sem dúvida, muito a avançar por aqui. Formação precária, salários pouco atrativos, más condições de trabalho e pouco incentivo ao desenvolvimento profissional contínuo são questões graves. Só que, apesar disso tudo, temos hoje 88% de professores com nível superior (em 1989, eram 33%). No total da população com 25 anos ou mais, apenas 21% dos brasileiros completaram uma graduação e 43% sequer conseguiram terminar o nível médio. Por mais que tenhamos sérios problemas a enfrentar na carreira docente, acreditar que pais de escolaridade precária estejam mais aptos a ensinar seus filhos do que profissionais formados é uma completa insensatez, sustentada apenas pela fé, ou talvez má fé de alguns. Segurança nas escolas é também um problema, e volta e meia aparecem no noticiário casos realmente revoltantes de agressão ou indisciplina. Mas é preciso lembrar que estamos falando de um universo de 46 milhões de estudantes que se deslocam diariamente a 180 mil estabelecimentos de educação básica no país. Em geral, entram e saem com segurança. Vivenciam conflitos, o que faz parte da natureza humana, e cabe às escolas justamente atuar na mediação. Mas, apesar de todos os problemas, a sala de aula é um local público. E pesquisas no mundo todo mostram o quanto ela é importante para identificar situações de violência doméstica. Sete em cada dez casos de estupro de menores de 14 anos ocorreram na residência da vítima, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025, já citado aqui na coluna. E sobre o ensino compatível com valores familiares, aqui se trata mesmo de uma disputa ideológica. Sistemas modernos de educação, no mundo todo, surgiram também para desenvolver valores cívicos e preparar os estudantes para o convívio com a diversidade que marca o espaço público. Apesar de todas as suas imperfeições, não há local mais apropriado que a escola para isso.
Ataque à escola tem método
Com frequência, no debate público, reaparece um discurso que tem como objetivo explorar ao máximo a justa insatisfação da população com a qualidade do ensino para vender falsas soluções







