A inteligência artificial não chegou batendo à porta. Ela simplesmente já estava dentro, nos celulares dos alunos, nos planejamentos dos professores, nas ferramentas de gestão escolar. Segundo pesquisa da Fundação Itaú, 84% dos estudantes e 79% dos professores brasileiros já utilizaram IA. A OCDE acrescenta que o Brasil é o nono país do mundo onde mais professores utilizam IA no trabalho, 56%, contra 36% da média global. A tecnologia não é mais uma ameaça no horizonte. Ela já é o cotidiano.

As instituições brasileiras têm demonstrado atenção crescente a esse cenário. Da Política Nacional de Educação Digital (2023), que estruturou a inclusão e a formação digital como políticas públicas, até o PL 2338/2023, marco regulatório da IA no país, que classifica aplicações educacionais como de alto risco e exige supervisão humana, avaliação de impacto e vedação a usos manipulatórios.

Isso demonstra que o Brasil tem construído um arcabouço legislativo progressivo. O passo mais recente é o PL 2129/2025, que propõe tornar a IA tema transversal na educação básica. Em março deste ano, o Conselho Nacional de Educação aprovou diretrizes que reafirmam o que educadores já sabem: a tecnologia potencializa, mas não substitui o professor, tampouco a escola.