Os Estados Unidos estão de parabéns —250 anos depois da Declaração da Independência significam, em escala europeia, que o país chega finalmente à maioridade. Pode não parecer, eu sei, com o personagem que hoje está no comando. Maioridade, aquilo?
Não caiamos no provincianismo: os homens passam, as instituições ficam. Em 1776, os americanos inauguraram a modernidade política e começaram um caminho —longo, contraditório, imperfeito— que as democracias liberais do Ocidente acabariam por seguir, mais cedo ou mais tarde.
Todos os homens são criados iguais. Todos são dotados de direitos inalienáveis, entre os quais "o direito à vida, à liberdade e à procura da felicidade". Seus governos só são legítimos pelo consentimento dos governados. Princípios nobres que não se aplicaram a toda a população das antigas colônias britânicas?
É um fato: negros, nativos, mulheres —a contradição entre a teoria e a prática era flagrante. Mas isso não altera a natureza revolucionária desses princípios, que passaram a ser invocados nas lutas de emancipação posteriores.
Como lembrava o historiador Gordon S. Wood, morto recentemente, os ideais não cumpridos da Declaração da Independência foram a pólvora das batalhas pelos direitos civis desde a fundação da República.












